Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 2 de Julho 2008 - 20h0

Bem pagos


O próximo prefeito não terá grande trabalho: os defeitos da cidade estão estruturados de tal forma que é quase impossível resolvê-los. Não há muito que fazer, por exemplo, com o transporte coletivo. Primeiro, porque não precisa funcionar: os que reclamam não contam, é gente pobre, que grita e berra, mas vota. Depois, teria de começar substituindo as carroças fantasiadas de ônibus por veículos mais civilizados. Ninguém tem peito. Fora o trivial variado: obrigar os ônibus rodarem no horário, motoristas se reeducarem, passagens integrais e mais etcs.
Na Saúde é impensável acabar com filas e gente morrendo pelos corredores das unidades de saúde. Os funcionários e contratados ganham tal ninharia que é um milagre ainda existirem profissionais nessa área. Mas isso não tem importância: enterram-se os que morrem por falta de atendimento, o povo esquece e vota.
Quanto a Educação, quem se importa com a molecada que chega analfabeta à oitava série? Alguns se graduam no analfabetismo funcional e fica de bom tamanho: eles aprendem a assinar o nome, vão misturar cimento e amolar facão para cortar cana. Se não aprenderem nada e não conseguirem trabalho, sempre resta o tráfico, que rende mais, é mais emocionante e encurta a vida, livrando o cristão de sofrer na velhice desamparada.
Assim caminha a humanidade. Algum doido precisa dizer a verdade, correndo o risco de ser chamado de... doido. Mas nem tudo está perdido. Porque o eleitorado de Ribeirão Preto é muito criativo: pode eleger o doutor prefeito Gasparini outra vez. Aí tudo se resolve, a começar pela Saúde. Como a farsa se repete, ele pode prometer de novo acabar com os problemas em três meses. Estamos salvos. E eles muito bem pagos.

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