Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 9 de Julho 2008 - 17h38

Cadeia para Jurucê


Uma temeridade essa idéia de jerico que é uma penitenciária em Jurucê. Incrível como tem gente que vem ao mundo para entupir caminho e passar rasteiras. Ou simplesmente atrapalhar quem trabalha e tenta fazer as coisas melhores.
Não concordo e nem dou fé. Primeiro porque Jurucê é imutável. Que ninguém mexa em Jurucê, porque se aquilo melhorar, estraga. Não existe no Universo infinito lugar melhor do que Jurucê. E você quer saber o que Jurucê tem para ser tão especial? Aí é que está a questão: não é o que Jurucê tem, mas o que não tem que a faz a Pérola da Mogiana (gostaram do título?).
Em Jurucê não tem essa multidão que se acotovela em Ribeirão Preto. Este fato permite que todo mundo se conheça e viva em relativa harmonia, fora lá umas brigas de bêbado sem importância. Em ocasiões bissextas há um crime, geralmente passional. Coisas do amor cabloco.
Também não tem trânsito em Jurucê. Virtude notável nos dias de hoje. Desejo ardentemente que não tenha moto-táxi e nem trenzinho infantil. Ideal seria que não tivesse celular, telefone, fax, Internet, rua asfaltada e muro nas casas. Toco tudo isso por cerveja gelada, no copo poeirento, e torresmo frito na hora. Ô, glória!
Por isso concordo com a idéia do prefeito de que cada cidade que cuide dos seus detentos. Aplausos efusivos para a sugestão de que se construam os CPPs no meio do oceano, em ilhas desertas. Retificaria apenas o detalhe das ilhas. Mas mantendo o oceano.
E, mesmo não morando nesta verdadeira cidade maravilhosa, gostaria de poder colocar o nome no abaixo-assinado que pede que a tal cadeia vá para o inferno. Jurucê não precisa disso. Jurucê precisa é que a deixem em paz.

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