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Hamilton de Andrade Lemos

Sexta-Feira, 11 de Julho 2008 - 0h34

Vaidades


Nosso mundinho poderia ser um lugar mais aprazível sem a vaidade. Talvez tivesse só uma vigésima parte do que é hoje, vantagem até para o aquecimento global.
Ah, que ser seria o humano sem essa necessidade de aparecer. Alguns dizem que é resquício atávico (há alguma redundância aqui), uma espécie de apêndice de quando estávamos macacos. Nesta época, ser um macho ou uma fêmea alfa trazia benefícios consideráveis, como o poder sobre o grupo e mais parceiros para copular.
Antigamente o exercício da vaidade tinha notas menos complexas. O masculino não precisava de um carro caríssimo e dinheiro no banco. As mulheres podiam prescindir dos shoppings. Nem raspar as axilas era imperativo. Agora, no século 21, até a mediocridade se sofisticou. Simplicidade é coisa de amadores. Não basta esfregar na cara de seu próximo sua superioridade física. Ser apenas agressivo também é pouco. Com a testosterona vendida nas farmácias, a preços módicos, é preciso fazer uso de outras substâncias. Os neurotransmissores é que estão por cima. A inteligência, variação vulgar do poder de raciocínio, é que determina quem vai para as cabeças.
Brilha quem pode e admira quem tem juízo. Da mídia ao colega de escritório, todos querem estar no ponto focal dos olhares e das câmeras, que são o coletivo de olhos. E para quê? É resposta para mais do que um canto de página. O mais perto que consigo chegar é isso: para existir. Sem o outro, sem todos os outros, não há notoriedade, não há expressão. É o fenômeno do bosta que vira celebridade após participar de um Big Brother. O superlativo desta nova vaidade chama-se política. Veremos seus players em ação nas próximas eleições.

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