Arquitetura
Sexta-Feira, 11 de Julho 2008 - 22h51
BELEZA E HARMONIA As peças de decoração são detalhes que estimulam a permanência no ambiente, trazem tranqüilidade e aconchego
Detalhes fazem toda a diferença na decoração. As peças maiores são sempre as primeiras a entrarem na composição do ambiente, como sofás, mesas e poltronas. Mas são os acessórios e peças decorativas que vão personalizar o espaço, dar vida à casa ou mesmo o tom que se deseja imprimir.
- É a finalização do projeto. Sem elas o espaço parece inacabado e sem aconchego. Elas dão a cara ao ambiente decorado, comenta a arquiteta e designer de interiores, Natacha Dal Pino Zanchi.
E essas pequenas peças podem, às vezes, ter um custo alto, chegando a representar, segundo Natacha, até 30% do investimento na decoração.
- Num quarto com apenas a cama e os criados a sensação é de vazio. Não há estímulo para a pessoa permanecer no local, o ambiente não fica acolhedor. Ao contrário, o espaço completo traz uma sensação agradável, diz.
Para Natacha a decoração com peças harmônicas supera a questão estética. Um quarto sem cortina, por exemplo, ultrapassa a beleza, garante conforto em termos de iluminação, privacidade e estética.
Boas escolhas
Peças de acabamento não precisam ser em grandes quantidades e nem caras, na opinião da arquiteta.
- É possível escolher peças-chave, que ocupem lugar de destaque, dando ênfase ao espaço, sem um custo muito alto, explica.
Ela cita como exemplo o uso de livros numa mesa de centro.
- A pessoa pode expor livros de capa dura e em cima colocar peças como um vaso de flores, um cinzeiro ou uma lupa, que dão um toque especial. A escolha deve levar em conta o custo, e mesmo investindo menos é possível conseguir o mesmo efeito visual, diz.
Um vaso de cristal ou de prata terão um custo mais alto, mas existe a opção de usar vidro ou junco, a depender do estilo da decoração.
- Ambos ficam bonitos, declara.
Lunetas, lupas e binóculos
E as lentes de alcance como as lunetas, que antes eram usadas exclusivamente para observação, conquistaram definitivamente a decoração. Em mesas laterais, home-offices, estantes, elas adornam desde quartos a livings.
- O mais atraente é ser um objeto de decoração e aliar uma certa utilidade, por mais que o uso não seja constante. Além de ter a questão do resgate cultural, opina.
Na Casa do Golf, espaço do arquiteto Dado Castello Branco na Casa Cor 2008, a luneta, livros e até um carrinho de ferro antigo marcavam a mesa de trabalho. A lupa e os binóculos também ganharam este espaço em cima de livros, numa mesa de centro.
- São uma tendência. Exemplos de peças que marcam e, por isso, às vezes, dispensam o uso de muitas outras. E deixam a decoração contemporânea e atual, declara.
Esse adorno de desejo pode custar de R$ 80 a R$ 3 mil, dependendo do tipo e da antiguidade da peça.
- No mercado existem muitas réplicas que têm um valor mais acessível e são belas, informa Natacha.
Os pincéis chineses gigantes, de ossos ou pedras, usados em pares, são uma excelente opção para as mesas de centro.
- Dão sofisticação e um caráter étnico ao ambiente, comenta.
Uma coleção de esculturas em mármore do artista plástico Dan Fialdini decoraram a lareira do espaço ‘Meu Chalé no Campo’, projetado pela arquiteta Marina Linhares. No living, a escultura em formato de árvore e os vários adornos colocados nas estantes, como as miniaturas de vestidos em madeira, ambos do artista José Bento, contam histórias, agradam o olhar e garantem aconchego ao espaço.
Planejamento permite o ambiente dos sonhos
Como nem sempre o orçamento permite realizar o projeto dos sonhos, com todos os detalhes, isso pode levar algum tempo. Mas nada que um planejamento adequado não solucione. É possível elaborar as etapas da decoração de acordo com a previsão de custos e a disponibilidade financeira. Segundo a arquiteta Natacha Dal Pino Zanchi, a pesquisa de preços e a escolha de cada item com cuidado também podem ajudar na economia.
O ambiente pode ir ganhando forma aos poucos, desde que isso seja pensado já no início da decoração.
Para Natacha, controlar a ansiedade também é um passo importante nesse processo, já que todos desejam ver o ambiente pronto.
- Na decoração por etapas é essencial que o projeto já tenha quase tudo definido, o layout já tenha padrões de medida, inclusive, com os espaços de circulação. Nesse caso dá certo decorar a longo prazo, afirma.
E se o orçamento não está livre de limites, o ideal é priorizar um ambiente e investir nele até que esse esteja com a decoração concluída.
- Assim a pessoa não corre o risco de se perder e ficar com vários espaços inacabados, aconselha.
Uma outra dica é planejar o valor que será investido em que cada ambiente.
- O planejamento vai permitir escolher peças dentro do orçamento e não estourar a previsão para a casa toda.
Primeiras peças
Os móveis e as peças maiores ocupam sempre o primeiro lugar na aquisição ou a seleção de quais vai aproveitar das que já possui.
- É preciso saber as proporções e medidas que elas terão, pois isso será determinante na seleção das peças decorativas, ressalta.
Numa segunda fase entram os objetos que começam a definir a decoração. - No living as almofadas e quadros vão imprimir o estilo do espaço. Com pelo menos esses três elementos a pessoa começa a dar um toque de acabamento ao ambiente”, diz. Um sofá sem almofada perde o atrativo do sentar, diz.
Já na sala de TV ou home theater não adianta só ter sofás e tecnologia.
- Mais do que os outros ambientes é um espaço em que esses elementos são essencias para proporcionar o aconchego que ele exige, como os tapetes, a cortina e as almofadas. Já livros para enfeite e para leitura vão imprimir mais descontração, completa.
Experimentar
- Trabalhamos muito a questão de experimentar as peças. Hoje a maioria das lojas permite que o designer ou o cliente selecione algumas peças para serem testadas no contexto do espaço. Desta forma se estimula a compra adequada, a harmonia do espaço e evita a aquisição desnecessária, explica.
Essa experimentação vai permitir à pessoa ter a percepção real de como o espaço ficaria depois da decoração finalizada.
- Ela pode adquirir as peças aos poucos, completa.
Sem o planejamento a pessoa pode ser tentada a comprar peças soltas que, mesmo caras, não venham a ficar bem no contexto.
- Ou ter de contratar um profissional para promover a harmonia, ressalta.
Procurar peças que causam efeito bonito e se destaquem no ambiente e priorizar os espaços na finalização da decoração são, na opinião de Natacha, fatores fundamentais para conseguir o ambiente bonito, harmonioso e que caiba no orçamento.