Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 16 de Julho 2008 - 23h20

O poder feminino


Na minha casa quem manda é a patroa. Tenho certeza de que na sua também, mesmo que você não saiba disso. O máximo que nos permitimos é desobedecer.
Há uma razão capital para isso. Mulheres administram a casa, as relações e a vida bem melhor do que nós, homens. É uma habilidade que a maioria delas tem. Elas são multifunção, em oposição à nossa condição de especialistas.
Dentro deste talento nato, cabe às mulheres grande parte da tarefa de educar as novas gerações e manter o lar minimamente habitável, por mais que a modernidade queira repartir o trabalho. Acho justo que dividamos as tarefas: colocar o lixo para fora e abrir o vidro de conserva estão no nosso território. Poderíamos também lavar o banheiro, se isso não incorresse no perigo de quebrar espelhos, louças e ossos. Precisamos ter consciência de nossas limitações.
Agora vem a grata notícia de que elas são maioria entre os eleitores desta cidade. Graças ao bom Deus! Quem sabe se, unidas, elas não farão escolhas mais acertadas nas próximas eleições. Que usem seu poder de análise e síntese para identificar os candidatos que tragam algum benefício para a cidade, da mesma forma com que escolhem os bons tomates e a escolinha para os petizes.
Não julgo necessário que, por serem mulheres, votem também em mulheres. Esta escolha não deve privilegiar sexo, idade ou religião. Que elas o façam pelo mérito de cada um. E, mais importante, que elas exerçam a mesma capacidade que têm junto aos maridos e companheiros, o de atormentar, mantendo-se atuantes em vigiar, criticar, sugerir e armar o barraco quando necessário. A cidade, assim como a nossa casa, será bem melhor com elas.

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