Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 19 de Julho 2008 - 19h33 Devo, não pago, negarei enquanto puder. Esta é a máxima do caloteiro. E caloteiro nasce em penca neste mundo. Em cada esquina tem um. O que caracteriza o caloteiro é a má-fé. Ele já sai de casa, ou melhor, acorda com a intenção de lesar alguém. Já ouvi de um deles, muito cara-de-pau, que se julgava rico. Porém, que seu dinheiro não estava com ele. Portanto, seu trabalho era descobrir com quem estava o dinheiro e como reavê-lo. Este merece cana, safado.
Outro caso é o do devedor. É aquele sujeito que fica sócio do maior clube do Brasil, um clube sem piscina, sem quadra poliesportiva, sem time de futebol e que tem milhares de participantes. É o Serasa.
Dois motivos o levam a ingressar neste clube. O primeiro deles, óbvio, é a falta de dinheiro. Comprou por necessidade – não sei se o amigo leitor concorda, mas tem gente que precisa se alimentar, vestir, morar etc – e, na hora de pagar, simplesmente não possui a verba necessária. Importante dizer que, muita vez, não a tem porque foi vítima de outro devedor, ou mesmo de um caloteiro. Ou seja, é mais vítima do sistema e menos culpado pelo seu status quo.
O segundo motivo do crescimento de devedores é a vontade de comprar. É tanta propaganda, vitrines e lançamentos esfregados na sua cara, que ele acaba não resistindo. É muita pressão pelo consumo. O vizinho aparece de carro novo e a mulher do devedor atormenta o pobrezinho para que também compre um. Neste caso, o devedor também é uma vítima do sistema capitalista que o induz à compra.
A moral dessa história é a seguinte: cuidado com quem facilita o fiado ou empresta dinheiro. Mesmo quando perde, essa gente sai ganhando.