Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 23 de Julho 2008 - 22h38

Positivos e operantes


Conheço péssimos médicos. Nem por isso deixo de recorrer à Medicina quando preciso. Vejo muitos publicitários picaretas no mercado. Nem mesmo assim deixo de acreditar na importância dos valores que validam esta profissão. Garçons com cara amarrada, já topei com vários. Mas continuo chamando à maioria deles de amigo ou meu chapa.
Não adianta. Qualquer atividade em que se faça presente o tecido humano, teremos sempre uma probabilidade, embora baixa, de maus profissionais. Onde tem gente, tem problema. Precisamos é entender que o volume de benefícios será sempre maior do que o de pepinos. Se você concorda com este argumento, convido o leitor a transferi-lo, com isenção, para o plano das polícias. A proposta tem um sentido muito claro: fazer um contraponto ao linchamento público que a imagem das corporações policiais vem sofrendo ultimamente.
Como dizia o Nelson, toda unanimidade é burra. E percebo uma unanimidade em acusar toda a Polícia Militar, por exemplo, pelas besteiras feitas por uma minoria, exploradas exaustivamente pela mídia. Erros há e sempre haverão, em todas as profissões. Minha experiência pessoal sobre os policiais é de que, sempre que precisei de suas intervenções, obtive uma resposta plenamente satisfatória. Sorte? Por certo que não, mas uma realidade, fruto da qualidade, preparo e interesse da grande parte dos que compõem a polícia. Contra as notícias sobre os maus, lembro dos atos de heroísmo – viver com aquele salário já é um deles – que, vez ou outra, lemos nos jornais, muitas vezes com risco da própria vida. Pena que a rotina de competência não mereça manchetes. O rótulo, assim como a unanimidade, é das piores formas de burrice.

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