Hamilton de Andrade Lemos
Sexta-Feira, 25 de Julho 2008 - 23h44 Ano eleitoral é uma tragédia. Não bastasse o retorno dos mortos-vivos, digo, dos aproveitadores de plantão que vêm novamente a público para pedir seu voto, até pela televisão, podemos nos apavorar ainda com vários outros efeitos nocivos das campanhas eleitorais.
Um dos mais nefastos é o recrudescimento das obras públicas. Para quem não sabe, recrudescer quer dizer aumentar, mas tem também o sentido de agravar, mais apropriado ao caso.
Em ano eleitoral, a cidade é virada pelo avesso. Pipocam canteiros de obra por todos os pontos, com a clara finalidade de demonstrar ao eleitor que alguém está trabalhando com muita competência e seriedade para melhorar a cidade. Seria um espetáculo de marketing, caso as tais obras tivessem o mesmo volume e igual freqüência nos demais anos.
Sendo assim, o tiro sai pela culatra. No afã de mostrar serviço, coloca-se a cidade de pernas para o ar, atrapalhando o trânsito (como se já não estivesse péssimo), atrasando a vida do cidadão e sujando ainda mais as ruas em tempo de seca. É a sucursal do inferno.
Interessante notar que estas obras privilegiam os pontos de grande fluxo de eleitores, ops, pessoas. Mas deve ser coincidência e não uma tentativa de usar a obra como vitrine da administração. Muita malícia de minha parte pensar nesta possibilidade.
Mesmo assim, está lá a bagunça em torno da rodoviária e também na rotatória da Castelo Branco. São obras necessárias, é bem verdade. Tanto o são que deveriam ter sido implementadas já no primeiro dia da atual administração.
Mas sabe como é o brasileiro, em especial o político: adora deixar tudo para a última hora.