Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Sabado, 26 de Julho 2008 - 18h56

Criatividade


Você está trafegando com seu carro por uma rua de nossa cidade, tarde da noite. Por distração ou desleixo, o combustível de seu carro acaba.
Você aproveita o resto de velocidade para encostar o carro em local seguro. Sai do carro e observa o pouco movimento e o risco de ficar parado por ali. Deixar o carro naquele lugar e chamar um táxi também está fora de cogitação, considerando a vulnerabilidade do mesmo e a ferocidade dos ladrões. O que fazer?
Com os postos de combustível fechados àquela hora, você recorre à caridade dos poucos motoristas que passam vez ou outra. A maioria não pára, por motivos compreensíveis. Até que uma alma bondosa e pouco previdente encosta para prestar auxílio.
Então você explica a situação ao sujeito que, consternado, se oferece para ceder alguns poucos litros de combustível, o suficiente para funcionar o seu carro e chegar até um posto 24 horas.
Não há problema no tipo de combustível a ser emprestado, visto que seu carro é flex. No caso, álcool. Por sorte, se é que podemos considerá-la num evento como este, o amigo leva uma mangueira e uma garrafa pet no porta-malas. Aí é só enfiar a mangueira no tanque do carro e sugar, com a boca, o combustível, até que o líquido comece a verter pela gravidade. Mas como sempre acontece nestes casos, você engole uma pequena quantidade de álcool. Depois, com seu carro abastecido, o carro pega, você agradece a ajuda e vai embora.
Dois quarteirões depois, uma blitz da polícia o faz parar e aplica o teste do bafômetro. Esta é uma das desculpas possíveis de serem dadas quando você sai do bar e a polícia lhe pega bêbado. Caso tenha alguma melhor, envie para mim.

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