Hamilton de Andrade Lemos
Segunda-Feira, 28 de Julho 2008 - 23h32 Não bastasse o excesso de semáforos, os pedintes e os distribuidores de papel, as esquinas de nossa cidade começam a receber um novo tipo de praga: os candidatos engraçadinhos.
Como não têm dinheiro e nem senso do ridículo, apelam como podem para chamar a atenção do eleitor. Assim, se enquadram em uma das espécies de humoristas menos felizes, aqueles que causam riso pelo que são, e menos pelo que dizem. O palhaço, pelo menos, tem consciência de seus exageros.
O menos maluco é um candidato que tenta ligar seu apelido com os dados, aqueles cubinhos brancos com bolinhas marcando números em cada uma de seus faces, de um a seis.
O rapaz em questão mandou fazer – olha o tempo, dinheiro e energia gastos nisso – alguns dados enormes e os espalha pelos gramados das esquinas. Fora a tentativa de se fazer notado, não percebi o que mais planeja comunicar. Será que quer dizer que tem dado em casa? Ou será que está insinuando que, se der sorte, vai conseguir um belo emprego de 4 anos? Ou ainda, que está disposto a tudo no jogo do poder? Como descobri que sua ocupação atual é professor de judô, espero que ele tome esta crítica com bom humor. O outro personagem é um que anda com um carro cheio de gaiolas. Parece que este é seu apelido. Caso esteja querendo dizer com isso que, caso eleito, vai passar o mandato engaiolado, já tem meu voto. É um a menos para a gente se preocupar.
E tem outro que se intitula professor. Professor de quê? Das plantas, segundo o próprio. Profissão ideal para quem planeja vegetar por quatro anos, com ótimo salário, na câmara municipal. Mas, por mim, prefiro minha goiabeira analfabeta a votar num tipo desses.