Rodas e Cia
Terça-Feira, 29 de Julho 2008 - 21h12
MOVIDA A ELETRICIDADE CPFL firmou parceria com a Unicamp para aperfeiçoar a scooter
Petróleo caro, trânsito caótico e aquecimento global. Diante desse cenário, rodar por aí com uma moto abastecida na tomada se torna uma alternativa ecológica e economicamente correta.
No Brasil, a CPFL Energia firmou parceria com a Unicamp para aperfeiçoar uma scooter produzida nos Estados Unidos. O modelo será testado por seis meses.
O protótipo tem estrutura mecânica semelhante aos modelos a gasolina, montado em chassi idêntico. “A mudança é simples: tira-se o motor, sistema de transmissão e caixa de marchas de uma moto a gasolina, e substitui isso por motor elétrico e conjunto de bateria”, descreve o vice-presidente de Gestão de Energia da CPFL, Paulo Cezar Tavares.
Essa estrutura mecânica preserva a natureza e o bolso do consumidor. Com R$ 0,50, é possível “encher o tanque” da moto para rodar 50 quilômetros, isto é, um centavo por quilômetro.
Segundo Tavares, o mesmo veículo a gasolina faz 48 km com litro, o que equivale a cinco centavos por quilômetro. “A scooter elétrica, operacionalmente, custa 1/5 da moto a gasolina”.
Mas o modelo ainda precisa ser aperfeiçoado em um ponto principal: a bateria, que ainda usa a tecnologia de chumbo ácido. Atualmente, a scooter elétrica tem autonomia de 50 quilômetros e leva quatro horas para ser recarregada.
Os pesquisadores querem elevar a autonomia para 150 km e reduzir o tempo de recarga para apenas duas horas. Quando isso ocorrer, a CPFL quer encontrar uma montadora para fabricá-la em larga escala. Segundo Tavares, a empresa já está procurando fabricantes no mundo todo.
Motor Z
Se a sua consciência ambiental não quiser esperar pela CPFL, é possível recorrer à linha de scooters elétricas da Motor-Z, disponível no mercado brasileiro desde março do ano passado.
A fabricante oferece cinco modelos, com preços de R$ 4.170 a R$ 5.865. A autonomia das motos varia de 40 km a 55 km e a velocidade máxima de 35 km/h a 45 km/h. “Já são mais de duas mil unidades comercializadas desde o lançamento em março”, diz o diretor executivo da marca, Paulo Rogério Fernandez.
A Motor Z já possui uma rede de 58 revendedores em todo o país – um deles, em Ribeirão, a Star Motos. Em breve, os modelos devem sofrer mudanças para ter melhor desempenho.
Economia garantida
Motos elétricas, além de preservar a natureza, fazem bem ao bolso do consumidor. Com R$ 0,50, é possível “encher o tanque” da moto para rodar 50 quilômetros.
Vem aí a moto flex
Em 2009, o mercado brasileiro em duas rodas também deve ter sua primeira moto bicombustível. A AME Amazonas Motocicletas Especiais promete apresentar o protótipo final do modelo ainda este ano. O projeto está sendo realizado em parceria com a Delphi, que fornece a tecnologia de injeção eletrônica Multifuel para a moto. O funcionamento é semelhante ao dos carros flex, mas a adaptação a motocicletas demandou algumas alterações. As principais foram adequação da taxa de compressão, uma nova bomba de combustível para trabalhar com álcool e controle da injeção com novo software de calibração. A empresa não definiu o preço de venda da motocicleta AME AG. Mas o gerente de Comunicação e Marketing da montadora, Stefano Dehó, adianta que a tecnologia não vai encarecer o produto, voltado para o segmento popular. O executivo acredita que o modelo oferecerá economia de cerca de 25% nos valores gastos pelos motociclistas com combustíveis – o projeto está sendo estudado há três anos.
LUIZ ADOLFO
Especial para o Rodas & Cia.