Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quinta-Feira, 31 de Julho 2008 - 0h20

Pererecas em falta


Hoje peço licença ao cronista aí de cima para me apropriar de sua (dita) fixação.
É que quando você acha que o deboche oficial chegou ao seu limite, ele mostra porque o caos é uma palavra que já vem no plural e que besteira é igual banana, dá em cacho.
Essa história da falta de dentadura para o cidadão seria uma excelente piada, não fosse o trágico da situação e, principalmente, a ausência de dentes para rir. Na verdade, fiquei de boca aberta em saber que, em pleno ano eleitoral, nosso prefeito está deixando de entregar um bem que, antigamente, era dos instrumentos de troca de voto mais desejados. Coisa de outros tempos, quando o candidato chegava nas colônias das fazendas com um saco cheio de pererecas, ou dentaduras, como queira.
Reunido o povo do local, todos se alternavam na prova das dentaduras. Um experimentava, mexia o maxilar para ver se não machucava e, caso reprovada, passava para o próximo. Um método de escolha tão empírico quanto nojento.
Hoje, logicamente, as coisas não são mais feitas desse jeito, ainda mais considerando a seriedade das instituições que fornecem as peças. Talvez por isso estejam em falta.
Gostaria de sugerir ao senhor prefeito que tratasse da questão com esta mesma seriedade. Não somente por uma questão de saúde e humanidade. Acontece que deixar o possível eleitor sem dentes, enquanto ostenta um sorriso platinado em público, pode transparecer uma grande incoerência.
Como pode querer que as urnas lhe sorriam, quando o próprio eleitor está privado desta satisfação? Olha que o povo, mesmo banguela, está ficando cada vez mais esperto. E afinal, a voto dado não se olham os dentes.

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