Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 7 de Agosto 2008 - 23h31

Todos limpos


Agora que não há mais perigo, pois o Supremo Tribunal Federal decidiu que políticos com ficha suja têm direito a se candidatarem, por que não dizer aos eleitores quem são eles e quais os processos que respondem e suas condenações, que segundo os juristas, não afetam sua honra?
Como é de lei, quem avançou no dinheiro público, nomeou parentes, fez licitações reprovadas pelos tribunais de contas, prevaricou e ainda não foi condenado em última instância (o que raramente acontece no Brasil, pois o tempo passa e a memória é curta) é inocente, pode disputar o voto popular e repetir todas suas façanhas.
Pelo menos que se diga quem são eles. É o que fez o jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto. Aquele jornal começou a publicar um caderno eleitoral em que demonstra a vida pregressa dos candidatos. Simples: 90% dos prefeituráveis têm fichas corridas de fazer inveja ao Fernandinho Beira-Mar. Desde cheques sem fundo, calote generalizado, avanço no dinheiro público, falsidade ideológica, falsificação de assinatura ao trivial variado político conhecido como improbidade administrativa, tem de tudo. À direita e à esquerda.
Condenados ou com processo em curso, todos se dizem inocentes. Inocente é o eleitor, que não é suspeito nem é processado, mas vota nesses espertalhões que a lei protege. Pelo menos o jornal de São José do Rio Preto presta um relevante serviço público, ao deixar claro aos eleitores quem são os “inocentes” que disputam seu voto.
Aqui em Ribeirão Preto, se um jornal tivesse essa disposição, certamente não encontraria “ficha suja”, mas verdadeiras “capivaras” de alguns “suspeitos inocentes”. Mas para a tranqüilidade dos “inocentes” somos uma cidade “civilizada”.

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