Jornal A CIDADE

Hamilton de Andrade Lemos

Quinta-Feira, 7 de Agosto 2008 - 23h32

Extorsão


O subemprego é uma realidade nacional. O sujeito se vê obrigado a defender o leitinho das crianças e luta como pode neste mercado carente de oportunidades e empregos formais. Junte-se a isso o fato de que o brasileiro está, em grande parte, incapacitado e desatualizado frente às exigências do mundo globalizado.
Camelôs, distribuidores de folhetos nos semáforos e ambulantes são algumas das atividades possíveis que a criatividade do brasileiro encontra para sobreviver. Nada ou quase nada tenho contra estes. Que Deus os guarde.
De flanelinhas, já não posso dizer o mesmo. É das situações mais constrangedoras estacionar o carro e, ato imediato, chega um marmanjo se oferecendo para “cuidar” do veículo. Você não quer que ninguém cuide do seu carro. Com o seguro pago, tudo o que você quer é que o deixem do jeito que está. O que acontece é que o serviço é compulsório e encerra uma ameaça velada à integridade do seu patrimônio.
E quanto custa a extorsão? Pelas ruas da cidade, um espaço público, seu direito de uso pago pelos impostos, fica entre 1 ou 2 reais, a critério do proprietário. Nos eventos como teatros, cinemas, festas e similares, já há uma tabela de 5 reais. E devem ser pagos na entrada, já que na saída você não encontrará um único deles sequer. E qual garantia você tem ao pagar o serviço? Simples: nenhuma.
Interessante notar que a atividade é ilegal, mas possui sindicato. É ilegal, mas ninguém coíbe. É ilegal, mas ninguém reclama. É ilegal, mas a massa de cidadãos que sofre com este crime não reage, não protesta e perpetua os flanelinhas ao pagar o achaque.
Eu vou fazer minha parte. Não pago mais e pago pra ver.

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