Especial
Sabado, 9 de Agosto 2008 - 15h0
AVAL Além da Firjan, Indaiatuba foi celebrada pelo Seade, do governo estadual, que destacou as qualidades econômicas e sociais da cidade
Indaiatuba, devagar, recupera-se da grande surpresa. No começo da semana, a cidade de 173.508 habitantes e 700 indústrias, situada na região metropolitana de Campinas, foi considerada, entre os 5.561 municípios brasileiros, a melhor em saúde, educação e emprego/renda. A classificação foi apurada pelo índice de desenvolvimento municipal inédito criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Trata-se de uma adaptação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), que classifica países de acordo com a riqueza, educação e saúde.
A notícia teve quase o mesmo impacto causado pelo tornado que assolou a cidade no dia 26 de maio de 2005, com ventos de até 250 k/h. O sucesso de Indaiatuba, como o melhor município do país, esteve no horário nobre dos telejornais e nas páginas dos principais jornais brasileiros e do mundo. As moças e rapazes da assessoria de imprensa da Prefeitura não estavam prontos para tanta pressão. Quando os repórteres apertaram em busca de informações, percebeu-se que os dados armazenados nos computadores oficiais estavam todos defasados. Foi uma correria só. Ainda agora, números de três ou quatro anos atrás estão sendo atualizados. Espera-se que haja bom-senso e Indaiatuba, pela grandeza do prêmio, não corra o risco de ser comparada à vizinha Itu, onde, por conta do exagero, tudo é maior.
Localização e Incentivos
A localização privilegiada de Indaiatuba e a lei de incentivos fiscais criada pela Prefeitura para facilitar a instalação de indústrias são os principais fatores de desenvolvimento da cidade, reconhecem empresários e políticos.
A posição de Indaiatuba é estratégica. Fica a 12 quilômetros do aeroporto internacional de Viracopos (sem pedágio); a 25 km de Campinas (pedágio de R$ 8,50); a 90 de São Paulo; a 50 km de Sorocaba; a 190 de Santos; e a 35 quilômetros Hidrovia do rio Tietê.
A Prefeitura travou uma longa batalha com a Concessionária Colina e, através de uma rota alternativa asfaltada e bem cuidada, carros com placas de Indaiatuba estão isentos de pedágio nos deslocamentos até Campinas.
A lei de incentivos fiscais atraiu muitas indústrias na última década. Tanto é, que a cidade hoje tem seis distritos industriais.
Para quem chega com a intenção de produzir, dependendo do potencial (número de empregos, principalmente) a secretaria de Desenvolvimento oferece isenção de IPTU e de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) por até dez anos. Alvarás de construção e instalação são gratuitos. Mesmo assim, o município tem boa arrecadação, com o Imposto Sobre Serviço, o próprio IPTU e o retorno do ICMS (Imposto Sobre Ciruclação de Mercadorias e Serviços). A previsão do orçamento deste ano é de R$ 360 milhões.
Uma região rica
Na região, indaiatuba tem boas companhias no índice do Firjan. E talvez esse detalhe explique, em parte o sucesso da cidade. Jaguariúna, por exemplo, onde a Ambev instalou grande fábrica, ocupa a terceira colocação no país. Americana detém a 14ª colocação; Hortolândia é a 15ª; Valinhos (20º), Vinhedo 23º; Nova Odesssa, 26ª; Paulínia, 38ª e Campinas, 39ª.
O vereador Nelson Laturraghe (DEM), presidente da Câmara e oposição ao atual prefeito, diz que a cidade tem sido bem administrada.
“É correto que estamos numa região rica. Mas o carro não anda sozinho. É preciso bom motorista também. Não adiante a você ter uma Ferrari e guiar mal, bater, capotar, destruir o automóvel. Creio que este é o mérito da classe política de Indaiatuba”, afirma.
O alerta do Seade
Em 2004, o Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) já alertava para o elevado nível de riqueza e bons indicadores sociais em Indaiatuba.
Hoje, a zona urbana é quase toda asfaltada. A cidade tem 42 boas avenidas e dois radares móveis para controlar o tráfego, enquanto a prefeitura coíbe ao surgimento de favelas. O serviço de abastecimento de água, captada do rio Piraí, e a coleta de lixo, estão batendo nos cem por cento. O serviço de tratamento de esgoto, até o ano que vem, também chegará aos 100%.
O prefeito José Onério da Silva (PDT) admite que não esperava ver sua cidade liderar o país em qualidade de vida. Para ele foi uma agradável surpresa.
“Tínhamos indicadores de progressos, sabíamos que estaríamos entre os 15 melhores. Mas, o primeiro lugar foi surpresa”.