Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Sabado, 9 de Agosto 2008 - 17h6

Já dizia Churchill


Na Colômbia existe o voto programático, que permite aos eleitores destituírem do cargo o prefeito municipal que não cumprir as promessas feitas.
Este sistema divide efetivamente o poder entre o eleitor e o eleito, entre os políticos e a população de uma maneira geral representada pelos que votam. O risco de perder o mandato dá a medida da seriedade que o governante local deve ter.
A promessa é institucionalizada logo depois que os eleitos tomam posse. Não se trata de promessa de campanha. Que levaria o problema e o assunto para as profundidades radicais, das raízes. Neste caso, vai-se mais fundo. Ao assumir, o prefeito da cidade elabora um plano de ação. Se não cumprir, pelo menos parte substancial do que foi combinado, pode ser destituído. É mais ou menos – grosso modo – o que acontece com o direito que tem o consumidor brasileiro, garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. Ele tem o direito de devolver o produto que estava estragado, avariado, deteriorado. E receber outro em seu lugar. Seria interessante o eleitor igualmente ter o direito de dizer: “bem, fui ludibriado. Estou devolvendo o candidato que me enganou. Não o quero mais.”
Alguns entendem que a promessa de campanha, aquele conjunto de itens que os governantes afirmam que vão realizar, é que deve ser cobrada . E não o que o candidato eleito apresenta, depois da posse. Porque, assim ele pode – já eleito – ser muito menos demagogo, prometer muito mais conforme os recursos e a realidade permitirem. Mas aí já seria praticamente inviabilizar muitos governantes. “A promessa do candidato é o túmulo do estadista”, já dizia Winston Churchill, primeiro ministro britânico. Mais: o presidente francês Charles de Gaulle não tinha dúvida em dizer que “como nem os políticos acreditam naquilo que dizem, eles devem ficar admirados de verificarem que muitas pessoas acreditam”. E isto na Europa civilizada.

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