Júlio Chiavenato
Sabado, 9 de Agosto 2008 - 17h6 Ribeirão Preto é uma das cidades mais progressistas do Brasil, com “qualidade de vida” bem acima da média nacional. Mas exibe miséria por todos os lados.
A miséria brasileira banalizou-se tanto que, pobre com alguns reais nas mãos, consumindo bugigangas e tomando cerveja, é festa. Não importa a inexistência de políticas educacionais e de saúde. Nem que o crime, tanto o de colarinho branco como o que culmina no tráfico, aumente. Nem que no Brasil morre mais gente, assassinada pelo crime organizado e pela polícia, do que no Iraque. Isso mesmo: policiais e criminosos matam mais, no Brasil, do que o exército invasor dos Estados Unidos no Iraque.
Esta é uma cidade “inchada”. Sem planejamento, nos últimos 50 anos assimilou a maior mão-de-obra desqualificada do Brasil. No estado de São Paulo existem 400 mil cortadores de cana, no Brasil mais de 1 milhão. A “elite” desses trabalhadores está em Ribeirão Preto. Chegam de todos os grotões, despreparados para enfrentar a metrópole que lhes suga o sangue e lhes encurta a vida: compensa-os vendendo-lhes a parafernália eletrônica fabricada com trabalho escravo na China e outras ásias.
Surgem ilhas de conforto e segurança, alguns guetos luxuosos, como uns poucos na vizinhança de Bonfim Paulista. Outros, nem tanto faraônicos, são dignos dos novos ricos que a cidade produziu. A classe média defende-se como pode, com cercas de fios elétricos e pagando “segurança particular” que só aparece depois do roubo. Os pobres, quem se importa?
O que fazer? Nada, vivemos numa democracia capitalista e é isso o que ela oferece. Com as eleições os políticos prometerão resolver tudo. Mentirão à vontade e o povo, livremente, escolherá um salvador da pátria.