Márcio Bernardes
Segunda-Feira, 11 de Agosto 2008 - 23h9 (Pequim) - O telão do ginásio da Capital, local dos jogos de vôlei, explodia textos de elogios quando uma equipe fazia uma bela jogada. A seleção feminina foi responsável por 23 entradas de frases como Great, Fantastic, Wonderfull, Beautifull, entre outras.
Esses adjetivos foram poucos perto da irrepreensível atuação das comandadas de José Roberto Guimarães. Claro que poderia haver um nó na garganta por causa daquele fatídico jogo de Atenas. Mas Sheila desmentiu isso. Disse que o grupo de agora é outro e a situação é completamente diferente.
O Brasil defendeu demais. Atacou demais. E teve em Fofão uma levantadora inspirada. Aliás, o que faltava para essa jogadora, que, por causa do temperamento humilde e tímido, nunca soube usar o marketing, sobrou para Fernanda Venturini e Jackeline, suas antecessoras na posição. Mas Fofão, no final de carreira, está provando que é uma craque indiscutível.
As defesas de Fabi empolgaram. Os ataques de Mari, Sheila, Paula Pequeno e Waleska mostraram que o Brasil enfrentou a Rússia para acabar com qualquer dúvida: somos melhores e aquela derrota de Atenas foi o avesso do avesso. Claro que tem muito chão até a medalha de ouro. Cuba arrasou os Estados Unidos, China e Itália também estão jogando um vôlei de primeira. Importante é ressaltar que essa vitória sobre a Rússia dá moral, alento e tranqüilidade. Que venham as outras seleções.
Made in Japan:
Bola Mikasa não é mais a mesma
Os jogadores de vôlei, homens e mulheres, reclamam da nova bola fabricada pela Mikasa, que está sendo usada pela primeira vez nesta Olimpíada. Segundo eles, ela é mais leve.
É um contra-senso a fábrica japonesa não ter mantido a tradição. Normalmente, quando se pretende introduzir alguma novidade no vôlei, primeiro se faz o teste no infantil, depois no juvenil e assim por diante.
Foi assim, quando acabaram com a vantagem, quando o líbero foi introduzido, quando lançaram o tempo técnico que para a partida nos pontos 8 e 16.
Os atletas, portanto, têm razão em dizer que não conheciam a bola, segundo eles, bem diferente da anterior. Ninguém quer aqui desmerecer a importância do marketing nesses megaeventos, como Copa do Mundo e Olimpíada. Corre muito dinheiro, as despesas são impressionantes e, para manter essa estrutura monumental, não há como prescindir do dinheiro da propaganda e dos patrocinadores.
Como essas empresas são assessoradas por grandes agências de publicidade, há consultores muito especializados e eles deveriam então ouvir a voz das ruas. Ou melhor, dos atletas, antes que uma besteira maior possa ser colocada.