Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Segunda-Feira, 11 de Agosto 2008 - 23h13

Potência em xeque


Quando a América e o Brasil foram descobertos – final do século 15 e início do século 16, respectivamente – a península Ibérica abrigava duas potências econômicas. Espanha e Portugal, gradativamente, por razões que a História continua discutindo muito, foram perdendo a condição de potência. Com a primeira revolução industrial – 1680 – a Inglaterra passou a ser a grande potência européia e mundial. Terminava a era da economia movida por animais e por lenha. Iniciava-se a era do carvão mineral. Começava-se a viver o primeiro capítulo do tempo dos combustíveis fósseis. Fossile, em latim, quer dizer: que vem da terra, que é extraído da terra. Somente no final do século 19, por causa sobretudo do petróleo e do advento da ferrovia, os Estados Unidos avocaram a condição de potência, que atualmente usufruem praticamente sozinhos. E sem competidores próximos apesar da expansão nítida da China.
Mas – por meio da biomassa – tudo indica que o Brasil será o país destinado a liderar a transição mundial da era do petróleo para os energéticos obtidos principalmente a partir da cana-de-açúcar. É um novo tempo que se escreve na história do homem sobre a Terra. Estamos falando de tempo da biomassa.
É exatamente a agroenergia um assunto que pode, nos dias de hoje, mudar a geopolítica do mundo. Com petróleo e com biomassa, o Brasil – como já notou inclusive a revista britânica The Economist – fatalmente será superpotência. E esta condição gera bônus e ônus, na dialética natural do poder.
O bônus pode ser definido como sendo um meio de se melhorar – e muito – a vida da população brasileira. O ônus é que os predadores estarão mais presentes, mais atuantes, mais focados no Brasil. Se passar, por isso, a ser temido, o Brasil será mais combatido. Afinal, só se combate aquilo que se teme. Ou, num provérbio bem brasileiro, “ninguém chuta cachorro morto”.

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