Júlio Chiavenato
Segunda-Feira, 11 de Agosto 2008 - 23h13 O Cáucaso, cordilheira onde fica a Geórgia, divide a Europa da Ásia. Por ali passam os dutos que levam gás e petróleo para a Europa. Alemanha e França dependem do gás georgiano e do petróleo russo, que atravessam a região.
Os Estados Unidos levam a democracia aos países que têm petróleo. Utilizam tanques e bombardeio para impor a liberdade onde jorra o óleo. Estão no Afeganistão e no Iraque. As transnacionais que exploram petróleo, precisam de uma “política democrática” para expandir os negócios, o que direta ou indiretamente, exige uma “Geórgia livre”.
A Rússia, que foi “capo” da União Soviética, também precisa de uma “Geórgia livre” para garantir a venda do seu gás e petróleo aos franceses e alemães. No meio disso há uma disputa étnica: a Otisséia, espécie de Santa Cruz da la Sierra ao contrário, território politicamente da Geórgia, também pretende a “liberdade”.
Os países do Cáucaso, inclusive a Geórgia, foram invadidos e saqueados por várias “civilizações superiores”. Desde a Idade Média os árabes e os turcos estiveram pilhando e matando na região. A partir do século 13 os mongóis se divertiram por lá. Apesar dessas invasões ali floresceram culturas refinadas, especialmente na Armênia e na Geórgia. A Geórgia foi anexada em 1801 pela Rússia czarista. Com a revolução comunista criaram-se as Repúblicas Socialistas da Geórgia, da Armênia e do Azerbaijão. Os nazistas quiseram seus campos de petróleo. Os comunistas ganharam a guerra e ficaram com tudo.
A União Soviética desmantelou-se. Os EUA apóiam o governo “nacionalista” da Geórgia. A Rússia, os separatistas da Otisséia. No meio, o petróleo. E alguns milhares de mortos, pois a história às vezes não se repete como farsa.