Hamilton de Andrade Lemos
Segunda-Feira, 11 de Agosto 2008 - 23h13 Estamos em agosto, mês ideal para soltar pipa (sem cerol) e iniciar uma campanha eleitoral. No caso da primeira atividade, a oportunidade deve-se ao fato de que, devido à grande amplitude térmica (diferença entre as temperaturas mínima e máxima), as massas de ar se movimentam bastante. Na prática, venta demais. Assim, fica fácil empinar a pipa e mantê-la no ar.
O mesmo efeito não serve para o processo eleitoral. Temos diversas campanhas que não decolam e outras que, sabemos, terão dificuldades em se sustentar. O perigo é o cordão arrebentar, o que sempre ocorre do lado mais fraco.
Em agosto não chove. Ou chove muito pouco, tradicionalmente. São as tais massas de ar seco que, vindas da Argentina (tinha que ser), estacionam sobre o sudeste e impedem a entrada de correntes úmidas. Na seca também estão os partidos políticos pequenos. Não têm dinheiro para produzir seus programas eleitorais na TV, mesmo tendo tempo suficiente apenas para dizer “olá, boa noite”. Nos partidos grandões, até que está chovendo na horta. Mas ninguém sabe de onde vem a chuva.
Agosto é conhecido como o mês do cachorro louco, alusão ao período do ano em que a raiva animal recrudesce, razão pela qual temos uma intensa vacinação dos bichinhos domésticos. Na área política, é tempo de soltar os candidatos a vereador nas ruas, na tentativa de agarrar o eleitor pela canela. Cuidado redobrado com os cabos eleitorais. Eles podem chatear até a morte.
Não há vacina para esta situação. Só tratamento a longo prazo. Cuide de votar em gente minimamente habilitada (tarefa difícil) para que tenhamos um clima político mais ameno nas próximas eleições.