Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Quarta-Feira, 13 de Agosto 2008 - 0h16

Enfraquecimento


Afinal, o Estado está desaparecendo – como subproduto da globalização – ou simplesmente está tendo sua forma tradicional questionada?
O Islã radical rejeita os direitos à soberania nacional baseada em modelos do Estado secular e estas idéias se propagam por todos os lugares onde populações significativas refletem a fé muçulmana.
As fronteiras nacionais, tradicionalmente, traduzem princípios étnicos ou distinções de idiomas. Mas nem sempre. Na África elas representam – a partir do Tratado de Berlim, de 1850 – o poder e a vontade das potências colonizadoras. Daí as guerras sangrentas, em muitos países cujas fronteiras não obedecem princípios lingüísticos ou étnicos. Estas fronteiras isolam tribos.
No Iraque – que serve como exemplo – país forjado após a queda do Império Otomano, em 1922, as tribos não se entendem, envenenadas ainda mais pela rivalidade religiosa.
Um Estado – tradicionalmente – deve ser a medida política de uma nação, que é um conceito sociológico. Forma-se uma nação com uma cultura. Vale dizer: sem uma cultura nacional não há nação.
Há apenas pessoas próximas umas das outras. E, se culturas nacionais formam nações, culturas globais podem vir a destruí-las. Que é o que pode acontecer.
Tradicionalmente, mesmo nos países democráticos, religiões e línguas dividem os seres humanos.
Quando os países não são democráticos – não raro com povo sendo influenciado pelo autoritarismo dos governantes e mantendo comportamento autoritário também – as religiões fazem fronteiras muitas vezes sangrentas.
Elas contribuem inclusive para o enfraquecimento do Estado, sobretudo se este Estado não for nacional. Vale dizer: se ele não for a medida política de uma nação.
A dúvida moderna é se o estado nacional, como ocorre na Europa, perderá gradativamente soberania até desaparecer ou se terá um novo formato. E, por conseguinte, novo modelo.

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