Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 13 de Agosto 2008 - 0h16

A força da inércia


Na disputa eleitoral, quem age por inércia, o que parece mas não é um paradoxo, aposta no erro do outro. O adversário pode se enganar diante da letargia, planejada ou não, e perder o foco das ações. Confunde-se com hipóteses do tipo “o que ele está tramando”, parte para o ataque desordenado e perde.
O grande trunfo do doutor prefeito Gasparini em todas as eleições depois da sua primeira vez, é agir por inércia. Mas a principal força das suas candidaturas é apresentar-se como vítima. À sua marca de bom-mocismo, nessa gestão “colou” também que é honesto. Seus adversários caíram como patinhos: muitos que o criticaram começavam dizendo que “embora honesto...”, sem lembrar que ele está condenado em primeira e segunda instâncias por improbidade administrativa e, assim como a doutora deputada Dárcy Vera, tem ficha suja.
O doutor prefeito ganhou quatro eleições. Apesar dos 12% de intenções de votos e dos 39% de rejeição, pode ganhar essa. Começou a arrancada na segunda-feira, quando a doutora deputada insistiu em atacá-lo.
Se entendermos superficialmente a pesquisa Ibope, divulgada por este jornal, ela estaria chutando cachorro morto. Cachorro morto às vezes ressuscita. Ninguém gosta de ver o “mais fraco”, o “homem honesto” e a “vítima dos invejosos”, ser “agredido”.
Além disso, a análise da pesquisa e a criatividade histórica do eleitorado de Ribeirão Preto sugerem um segundo turno. Dárcy tem 54% das intenções de votos; ele tem 12%; os doutores Rafael e Feres, 11% e 1%. Quem vai perder e ganhar votos? Pela força da inércia Gasparini crescerá, como Rafael e Feres. Perde quem tem: a doutora deputada.
Inerte, distribuindo sopa no seu mundo rosado, a doutora deputada perderia menos.

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