Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 13 de Agosto 2008 - 0h17 Alegria de quem escreve em jornal é receber resposta. Ou como dizem os marqueteiros, um feedback. Tanto faz se contra ou a favor. Quem tem esta tarefa de opinar deve ser consciente da pluralidade de opiniões, interesses e, principalmente, entendimentos.
Quando você faz alguma crítica política, os criticados se abalam. Alguns até exprimem seu descontentamento por escrito, ao menos os que sabem escrever. Quando você aborda algum fato social do momento sob uma ótica diferente, também há os cidadãos que escrevem missivas indignadas. Afinal, pensar diferente é ofensivo.
Porém, as reações mais hostis que já recebi desde que comecei neste jornal vieram graças à crônica do último domingo. Dia dos Pais, pensei em fazer algum humor com esta figura familiar. Havia no subtexto uma intenção clara de expor a questão do ciúme e da competição velada entre pais e mães pelo afeto dos filhos. Coisa que pode ser percebida em qualquer consultório psicológico ou em humorísticos como a Grande Família.
Mas não. Levaram tudo ao pé da letra. Falaram da injúria de questionar o papel de pai, esconjuraram as críticas aos filhos e quase me crucificaram por tocar na santa figura das mamães. Faço então meu desagravo, reafirmando tudo o que disse, sem tirar nem pôr.
Aprendi algumas coisinhas divertidas com o ocorrido. Primeiro, que não se deve mexer no vespeiro das emoções alheias, em assuntos tabus. As pessoas não sabem se dar ao direito de, ao menos, aventar ver as coisas de outra forma. É o conforto da burrice.
Segundo, que a ironia é um recurso de humor perigoso, visto que muita gente não a alcança. E terceiro e último, que explicar a piada é sempre um saco.