Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 13 de Agosto 2008 - 23h10

La barca va


A pesquisa Vox Populi, publicada em A Cidade, confirma o que todos sabem: o povo não acredita em políticos, acha que eles mentem, se elegem para “arrumar a vida” e julga as eleições fraudulentas, com o uso da máquina pública e a obrigatoriedade do voto.
É massacrante: 82% dos entrevistados dizem que os políticos não cumprem as promessas; 85% acham que eles trabalham em causa própria. Não há nenhuma profissão no Brasil tão mal vista como a de político. Mentirosos e corruptos na opinião da maioria, onde deveriam estar? Contando lorotas para os puxa-sacos ou na cadeia. Mas estamos no Brasil e eles dirigem o Estado, “cuidam” dos impostos que pagamos e aumentam seus salários, além de empregarem parentes e gozarem de mordomias absurdas.
Processados, condenados, “escapam”. Nenhum devolve a grana que pegou nem curte cadeia. Lampeiros, ricos e sorridentes, ainda são capazes de processar aqueles que os criticam, por ultrajarem sua “imagem pública”. Que imagem, cara pálida?
No entanto, o eleitor que majoritariamente condena os políticos, vota neles e 78% esperam obter algum benefício em troca do voto. O voto é obrigatório, mas ninguém é obrigado a votar em quem não gosta ou considera larápio. Pode-se anular o voto. Mas poucos o fazem, embora a opinião geral é de descrença e indignação. A quase exceção aconteceu em Ribeirão Preto: nas eleições de 2004 para prefeito e vereador, dos 303.632 votos, 7.553 foram brancos e 53.830 nulos. Porém, os nulos eram em sua absoluta maioria destinados a Fernando Chiarelli, cuja candidatura foi impugnada (para variar).
Há algo de vicioso nisso, mas essa é a democracia que temos. A politicanalha colhe votos, aproveita e despreza a “opinião pública”.

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