Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 13 de Agosto 2008 - 23h10 Estou requisitando formalmente medalhas para mim e para os demais espectadores das Olimpíadas de Pequim. Ouro na modalidade paciência, prata em resistência e bronze em resignação.
É preciso uma tolerância amazônica para suportar os comerciais de tevê da transmissão. Não bastando que nos saturem com suas mensagens, são sempre os mesmos comerciais. Por mais criativos que sejam alguns, após a bilionésima exibição ninguém agüenta mais. Penso que poderiam ter tido a delicadeza de diversificar as mensagens. Haja saco.
Resistência é outra qualidade que o torcedor brasileiro precisa ter. A maratona de competições acontece num horário pouco apropriado ao trabalho. Somente os guardas-noturnos conseguem, porque podem acompanhar os jogos durante o expediente. Deve ser uma versão moderna de tortura chinesa. Em casos mais extremos, a prática pode levar a problemas conjugais, caso os torcedores mantenham a vida sexual no zero a zero.
Tem também a resignação em torcer pelos nossos valentes atletas e ver o mundo inteiro superando nossos meninos. Pessoalmente, tenho vontade de afogar o Phelps. Fica aquela sensação de impotência e inferioridade a cada resultado, salvo quando nossos heróis nacionais fazem milagre.
Digo milagre dada a falta de apoio ao esporte nacional. Fora dos momentos de interesse da mídia, a maioria fica entregue às moscas. Quem consegue vitória é por única função do seu gigantesco esforço pessoal, famílias e amigos. Se cada um dos anunciantes que hoje nos aborrecem destinasse 2% das verbas publicitárias para patrocínio a estes atletas, nós brasileiros teríamos muito mais medalhas a comemorar.