Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 15 de Agosto 2008 - 0h17

Política e mentira


Jornalista pode se enganar, mas não pode mentir. Mentiu, uma só vez, perde o emprego. Político pode mentir (muitos pensam que deve): a maioria acha tal safadeza própria da profissão. Nenhum cidadão pode mentir. A mentira é uma prerrogativa política.
Além de mentir, políticos têm cara-de-pau. A imprensa é o veículo principal da sua propaganda. Convencer o eleitor é fundamental para a preservação de privilégios, mordomias e compromissos. As exceções não contam, pois não influem no quadro geral. O que interessa é o conjunto da obra: o Brasil e Ribeirão Preto em particular, reflexos da atuação política de corruptos e mentirosos (na melhor das hipóteses).
O auto-engano justifica as fantasias de ingênuos, que acreditam na projeção das suas quimeras. Não desculpa mentirosos profissionais e conscientes. Por que esse palavreado? Uma das razões é porque o jornalismo deveria basear-se fundamentalmente em uma matéria-prima: a verdade. O resto é conseqüência.
Há regras. Por exemplo, as informações são checadas. Até as cartas dos leitores são conferidas. Porém, os políticos têm alvará para mentir. Os jornais publicam o que eles dizem, sabendo que a maior parte é mentira e autopropaganda. Talvez por isso o ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, escreveu domingo, que se “o jornal ocupar o ‘Painel do Leitor’ com contestações de candidatos, é melhor recomendar aos verdadeiros leitores que parem de escrever à Redação. Os candidatos vão querer responder a tudo que acharem desfavorável. E os leitores perderão o espaço que é seu. Lugar de personagem de notícia é no noticiário: o ‘Painel do Leitor’ é do leitor”.
Políticos não se constrangem; os jornais embarcam na deles.

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