Jornal A CIDADE

Hamilton de Andrade Lemos

Sexta-Feira, 15 de Agosto 2008 - 0h17

Penico auricular


Temos muito a comemorar. A proibição de várias modalidades de propaganda eleitoral tem mantido a cidade em relativa limpeza. Não somente a limpeza visual, mas a física também, visto que não temos aquela massa de papéis que enchiam as ruas em outras eleições.
Também não temos cartazes colados nos muros, camisetas horrorosas, outdoors amedrontadores de candidatos sorrindo, além de brindes duvidosos. Os muros estão como são: pintados ou descascados, conforme o capricho de seu dono.
Parece que a civilidade começa a chegar, aos poucos. Quem quiser que veja seu candidato pela televisão ou leia os santinhos numerados e contados. Ou que encontre seu candidato pessoalmente. Ah, sim, pela Internet também é possível o contato.
Porém, uma mídia infernal escapou ao controle da nova lei eleitoral. O carro de som, esta aberração da atividade de comunicar, está fazendo o ouvido do eleitor de penico. A qualquer horário, esteja você dormindo, almoçando ou trabalhando, lá está a besta anunciando um apocalipse auditivo.
Por que é que continuam a utilizar estes bólidos esganiçados? Mesmo não havendo proibição ou restrição legal ao uso destes, candidatos que se dizem em favor dos interesses do cidadão deveriam ter o bom senso em não utilizar um meio tão agressivo e poluente. Agride aos ouvidos, perturbam a paz e aumentam a poluição sonora, que já não é pouca.
Sugiro aos candidatos, de qualquer partido: usem a criatividade para o bem. Mostre ao seu eleitor que você merece o voto por ser, no mínimo, consciente e responsável com as necessidades da comunidade. Percebam que barulho na porta de casa não ajuda mais ninguém a se eleger.

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