Vicente Golfeto
Sabado, 16 de Agosto 2008 - 0h40 Dizem que a medicina cura todas as doenças que têm cura. Quando ela não é chamada a socorrer as pessoas, muitas vão a óbito.
Doenças matam. Algumas matam e ainda diminuem. É o que o falecido governador do estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, dizia da Aids: “ela mata e desmoraliza o ser humano”.
O Brasil vive problema sério com a esquistossomose, com a leishmaniose, com a dengue, com a febre amarela. Estas doenças também matam, quando não se faz no doente o tratamento devido e indicado. E a tempo. Mas, se matam o brasileiro, desmoralizam o Brasil. Que fica com fama de país, ao mesmo tempo, que exporta avião, automóveis, máquinas e implementos agrícolas, commodities que incorporam alta tecnologia no processo produtivo. Portanto, o Brasil passa a ser visto como uma das prováveis potências econômicas que marcarão o mapa mundi da segunda metade do século 21. Mas, ao mesmo tempo, está incluído – do ângulo social – no rol dos países que apresentam grosseira concentração de renda e níveis elevados de mortalidade causada por moléstias há muito tempo erradicadas em países civilizados.
Em outras palavras: o Brasil exibe forte e constrangedor contraste entre sua pujança econômica e sua deprimente realidade social, que também é observada pelo baixo nível de sua educação, de qualidade sofrível. E cada vez mais sofrível.
Este diagnóstico expõe uma necessidade imperiosa: a de que o país está carecendo de medidas de ordem política, partidas de governantes com sensibilidade social. E que tenham consciência de que o grande patrimônio de um país é seu povo. É o seu maior capital.
Mas do que nunca precisamos de líderes que vocalizem as necessidades populares, incluindo-as entre as prioridades básicas as que são necessárias para que se possa vislumbrar um horizonte menos negativo para o Brasil e para os que aqui residem, sejam brasileiros ou estrangeiros.