Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Sabado, 16 de Agosto 2008 - 0h40

É uma água


Em Atlanta, capital do estado da Geórgia, Estados Unidos, moradores processaram a Prefeitura porque as tubulações de água e esgotos “vazavam”. Desperdiçava-se água e o esgoto poluía o subsolo.
Se em Ribeirão Preto, casos como o de Atlanta resultassem em punição ou obrigação de corrigir os problemas, como a Prefeitura se defenderia de uma ação popular contra o desperdício de água e a poluição causada pelos esgotos?
Há mais de 40 anos funcionários informam e os prefeitos concordam ou silenciam, que os canos da rede de água e esgotos no Centro da cidade e nos bairros mais antigos estão apodrecidos. A água e os esgotos correriam por túneis que os canos deixaram no subsolo. Há tanto tempo se fala nisso que é difícil saber a verdadeira extensão do problema, pois a julgar pelas informações, a qualquer momento as ruas afundariam na lama. O certo é que se perde muita água.
Políticos costumam mentir. Depois esquecem a mentira e raramente alguém se lembra. No poder, manipulam dados ou falseiam fatos; é comum criarem factóides para esconder o desleixo, incompetência e, não raro, a corrupção velada ou explícita.
Em Ribeirão Preto, a não ser o trivial para consumo da imprensa, pouco se sabe qual a política para a água e os esgotos. Em Atlanta, quando se soube, processaram a Prefeitura. Aliás, em Ribeirão Preto não se sabe nada de nada: nenhum prefeito teve programa administrativo nem seguiu algum plano racional para administrar a cidade. O que mais fazem é desvirtuar, ignorar e manipular o Plano Diretor e conservar o poder político: para isso se rendem ao poder econômico e contam com a alienação da Câmara Municipal. Demagogia e subserviência dão voto “como água” e eles “lavam a alma”.

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