Jornal A CIDADE

Igor Ramos

Sabado, 16 de Agosto 2008 - 21h9

De olho na Área


Personagens

Aconteça o que acontecer até o seu final, os Jogos Olímpicos já têm os seus personagens. O norte-americano Michael Phelps e o jamaicano Usain Bolt. O primeiro imbatível nas piscinas levará para casa o maior carregamento de ouro oriundo da China. Não menos veloz nas pistas, Usain Bolt encantou o mundo com o novo recorde mundial nos 100 metros e a sua irreverência. Pulverizou o recorde e ainda brincou nos metros finais da prova. A marca abaixo dos 10 segundos parecia algo inatingível décadas atrás. Hoje já não sabemos mais quais os limites do homem. Usain Bolt nos divertiu com sua velocidade e está na história do esporte mundial.

Ouro

O Brasil terá uma semana promissora, mas acho que o momento mais emocionante já foi vivido no pódio do cubo d’água, onde César Cielo deixou transbordar toda a sua emoção ao receber a medalha. Foi às lágrimas e levou muita gente com ele. Arrancou aplausos inéditos durante a execução do hino e sensibilizou até os oponentes com a sua demonstração de amor à nossa pátria. Um verdadeiro campeão olímpico.

Protocolo

A festa de Cielo tomou conta da equipe brasileira de natação, que não se conteve e quebrou o protocolo invadindo a área reservada para festejar com o campeão. Cena que ficou ainda mais bonita com o abraço caloroso do ribeirão-pretano Gustavo Borges, até então nosso maior herói nas piscinas.

Futebol

O Brasil ganhou e vai disputar a semifinal. Mas às vezes me impressiono comigo mesmo ao não conseguir sentir emoção com nossa seleção. Um time frio, sem criatividade, com cara carrancuda do seu treinador. Dunga, o perna de pau mais vitorioso do nosso futebol. Em tempo: O atacante Jô confirmou que Dunga iria tirar Rafael Sóbis minutos antes do gol para a sua entrada.

Na raça

Nossas medalhas não são fruto de uma política esportiva, da massificação do esporte ou algo parecido. É sim resultado da dedicação individual e principalmente do talento dos nossos atletas, muitos dos quais, providos de condições financeiras. Cielo é um exemplo. Nunca foi rico, mas teve condições de se preparar morando nos EUA. Por aqui não há incentivo ao esporte, ao contrário dos EUA e da China. Phelps é puro talento, genética, mas principalmente resultado de uma filosofia esportiva adotada em seu país. Aqui as crianças mal têm o que comer ou estudar. Nos EUA, comem, estudam e treinam. Os Pelés americanos são universitários (basquete, beisebol). Os nossos, na maioria, ex-analfabetos que emergiram por conta do talento com a bola nos pés.

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