Vicente Golfeto
Sabado, 16 de Agosto 2008 - 21h12 A agroenergia tem o condão até de mudar a geopolítica no mundo. E está aí uma das razões pelas quais o Brasil tem levado tanta pancada da imprensa internacional. Tudo tem a sua razão de ser.
Só se combate aquilo que se teme, diz velha síntese de sabedoria. Ou, como diz antigo provérbio brasileiro, “ninguém chuta cachorro morto”.
O Brasil tem levado pancada, tem sido acusado, junto com outros países, de ser causador de fome no mundo porque produz cana-de-açúcar para, a partir dela, movimentar máquina em vez de produzir cereais para alimentar seres humanos. Ao produzir etanol a custos insuperáveis, passou a incomodar. E muito.
O sucesso da biomassa vem concomitantemente ao crescimento das reservas brasileiras de petróleo, fato que coloca o país no rol dos dez maiores produtores de petróleo e de gás do mundo. Estas realidades tornam o Brasil matriculado no vestibular de onde sairão as potências do século 21, na sua segunda metade.
De início a guerra será verbal. E expressa nos meios de comunicação mais importantes do mundo. Mas, nada impede que – se necessário – ela seja executada nos moldes tradicionais.
Como se faz no Iraque. Como se ameaça fazer no Irã. Como – em termos claros – nota-se na Nigéria e na Venezuela, cenários da nova guerra fria.
Ao lado de outra geopolítica – que a biomassa pode desenhar – temos que observar a postura dos mares. Terminou – ao que tudo indica – o tempo do Atlântico. E começa o tempo do Índico e do Pacífico. Mais deste do que daquele. É a talasso, tessalon, dos gregos. Talasso, na língua de Aristóteles, quer dizer mar. Ao deslocamento do centro de gravidade dos assuntos internacionais de um oceano para os outros dois acima mencionados se soma a mudança nas fontes de energia.
Vivemos uma fascinante fase de transição. Constata-se a observação : “viver é perigoso”.