Márcio Bernardes
Terça-Feira, 19 de Agosto 2008 - 0h20 (Pequim) - A maior e talvez única imagem excepcional que o Brasil tem no exterior é o futebol. E, na seqüência, Pelé. Quem já viajou pelos cinco continentes sabe que, em qualquer lugar, por mais remoto que seja, quando se fala em Brasil, logo se associa o futebol e o nome do seu Rei.
Além da mágica mostrada por nossos astros nos últimos 50 anos, a popularidade do esporte ajudou a comprovar para o mundo que num lugar da América, que não é os Estados Unidos, existe um país onde se pratica com maestria o futebol.
Citamos os Estados Unidos porque aqui na China está se provando mais uma vez que também nesta região quando se fala em América a única coisa que eles conhecem é a Terra do Tio Sam.
A Olimpíada tem sido palco de críticas contra o Brasil e, conseqüentemente, contra a imagem do futebol. E os responsáveis por isso são o técnico Dunga e alguns jogadores.
Dunga tem feito declarações desabonadoras e desnecessárias contra a China e os organizadores da Olimpíada. Pode até ter razão em algumas coisas, mas, pelo cargo que ocupa, não é politicamente correto falar o que pensa aos quatro cantos. Reclamar repetidas vezes que não estão oferecendo horários compatíveis para treinamentos e que a comida é muito ruim apenas provoca os atingidos e criam um clima antipático.
Jornais chineses estão criticando Dunga e alguns jogadores. A seleção brasileira já foi vaiada quando jogou com a China em Shenyang. E também no aeroporto de Pequim, quando chegou para enfrentar nesta terça-feira a Argentina.
Alguns craques da seleção se transformam em pernas de pau nas relações públicas, quando hostilizam alguém que vai pedir-lhes um autógrafo ou uma fotografia. É pedantismo reclamar que a Vila Olímpica não oferece o mesmo conforto dos hotéis cinco estrelas que a seleção está acostumada a se hospedar.
Não basta ser ídolo. Precisa também se comportar como tal. Maradona que o diga.
Consolação
Diego Hypólito foi o atleta mais desconsolado da ginástica artística, após falhar na sua apresentação no solo. Os concorrentes mais fracos e mesmo aqueles que também erraram não tiveram um comportamento tão desolador quanto Diego. Comentou-se, sem provas, que ele foi visto após as entrevistas, lendo a Bíblia na platéia do ginásio
Maracanaço
É mais ou menos essa a sensação dos chineses com o fracasso de Yao Xiang na final dos 110m com barreira. Maior ídolo do esporte chinês, ao lado de You Ming, do basquete, Xiang, machucado, não conseguiu nenhuma medalha numa prova que era considerado o favorito e que foi vencida pelo cubano José Contreras.