Cidades
Terça-Feira, 19 de Agosto 2008 - 0h47
DE VIAGEM Coleta de lixo em RP: 500 toneladas por dia para exportação
A partir de amanhã, a Prefeitura de Ribeirão Preto terá de exportar as 500 toneladas diárias de lixo até o aterro particular do CGR (Centro de Gerenciamento de Resíduos), em Guatapará, com valor três vezes maior que o gasto para depositar na área municipal para esse fim.
Hoje, a prefeitura paga R$ 11 mil diários para a Leão Leão operar o aterro na rodovia Mário Donegá.
O custo da operação de transporte e depósito para Guatapará (45 km de distância de RP) será de R$ 35 mil por dia, com base em dados do próprio CGR.
O secretário da Fazenda, Afonso Duarte, diz que o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) – autarquia que administra os serviços de abastecimento de água, esgotos e limpeza pública – não pediu aporte de verbas para um contrato emergencial com o CGR. “Nada chegou até nós”. A prefeitura repassa R$ 2 milhões por mês ao Daerp para o lixo.
O prazo de uso do aterro de RP vence hoje e a Cetesb não irá estender a data até que analise os dados que falta receber do Daerp sobre a estabilidade do local. “O município terá de ver outra alternativa para o lixo”, afirma Marcelo Minelli, diretor de Controle da Cetesb.
O Daerp deve enviar hoje os cálculos ao órgão estadual, segundo o superintendente, Darvin Alves. A expectativa da prefeitura, ontem, era de que a Cetesb prorrogasse o prazo pelo menos até que concluísse a análise final.
“Se (a Cetesb) não suspender o prazo, a medida de emergência é levar (o lixo) para Guatapará, mas é questão de dias”, diz o prefeito, Welson Gasparini (PSDB).
Mas Minelli afirma ser “praticamente impossível” estudar os cálculos do Daerp em um dia, e que a companhia não irá prorrogar o uso do aterro de RP provisoriamente. “A Cetesb não pode assumir a responsabilidade sobre a estabilidade do local”, declara.
Os dados sobre a estabilidade do aterro são um dos nove itens que a Cetesb pediu ao Daerp há seis meses, quando determinou o encerramento do aterro para hoje. Todos foram enviados, mas só oito considerados satisfatórios. São as informações que faltam que vão apontar em quanto tempo o local deve ser fechado, diz Minelli.
Para o Ministério Público, contratos emergenciais, como o que pode ocorrer com o CGR, são “excepcionais”. “Não conheço o procedimento, mas a contratação emergencial dificilmente pode ocorrer”, diz o promotor da Cidadania, Sebastião Sérgio da Silveira.