Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 20 de Agosto 2008 - 0h9 Os prefeitos, e o doutor Welson Gasparini em particular, confiam no velho álibi das más administrações: o que os olhos não vêem o coração não sente. O que fica longe e “invisível” ou debaixo da terra são relegados, “porque não dá voto”. É hábito comum aos demagogos, que não conseguem avaliar os problemas de infra-estrutura e preferem a maquiagem barulhenta das “obras” eleitorais.
O episódio mais recente é o lixão. Em Ribeirão Preto a forma mais cômoda para livrar-se do lixo é jogá-lo em áreas pouco habitadas, que acabam atraindo o excedente de miseráveis. Nas bordas dos lixões formam-se comunidades que sobrevivem, mais que na sujeira e contaminação, no lodo social que aceitamos com certa repugnância, mas nenhuma indignação suficiente para extirpar a irresponsabilidade política.
Ribeirão Preto nunca teve planejamento adequado para as necessidades mais sérias. Depois de um ensaio na década de 70, a Transerp, única tentativa de organizar e oferecer melhor transporte coletivo, foi tomada pela politicagem e hoje é uma pálida sombra do que poderia ser. Saúde e Educação são as calamidades conhecidas, fábricas de sofrimento e analfabetos funcionais.
Quanto ao lixão, há quantos anos se esperava o seu colapso? Há tantos anos quanto os prefeitos, e o doutor Welson Gasparini em particular, empurraram com a barriga e adiaram uma solução racional. Com “jeitinho” tudo se adia depois de uma saída paliativa, que torna o problema cada vez mais grave.
Por má gestão e muita indigestão política, o povo paga e a imundice vai poluir também outros locais. Não custa lembrar: cerca de 15% do custo da campanha eleitoral do doutor prefeito, em 2004, foi financiado pela Leão & Leão Ltda. É legal.