Jornal A CIDADE

Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 20 de Agosto 2008 - 0h9

Horário pobre


Você me conhece. Eu sou o fulano de tal, vendo pinga no bar da esquina e meu número é... Pronto, está feita a apresentação do candidato a vereador no horário político obrigatório. Cinco segundos jogados fora. Nem você colheu qualquer informação importante, nem o sujeito falou coisa que preste. E olha que, como publicitário, estou acostumado às durações miseráveis.
Nosso programa eleitoral na televisão, apesar de todas as maravilhas modernas da comunicação, está anacrônico. Mais deforma do que informa. Não fosse a risível seqüência de tipos estranhos, alguns de rolar às gargalhadas, teria audiência menor do que a do Telecurso. Mas tudo bem, é uma das poucas oportunidades que você terá de ver algum conhecido na televisão, fora do noticiário policial.
Pior do que a qualidade média dos candidatos é a hora do jingle. Jingle é aquela musiquinha de gosto duvidoso, com apelo emotivo, que acompanha as imagens melosas do político segurando criancinha, abraçando pobre e fazendo gestos de vitória. Da náusea ao vômito é um pulo.
Como não poderia faltar, corta para o (a) candidato (a) a prefeito (a), pedindo licença para entrar na sua casa e dar o seu recado. Entrar na minha casa? Nem a pau, Juvenal. Espera eu esconder a carteira e trancar as crianças no quarto. Se sumir o controle remoto eu já sei quem foi.
Junte à pobreza do programa eleitoral as restrições da propaganda política e temos um cenário de absoluta desinformação sobre os candidatos, suas propostas e as reais capacidades de cada um. Só quero ver, no dia da votação, eleitor escolhendo candidato na base do unidunitê. Promessa de grande desastre.

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