Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 20 de Agosto 2008 - 23h1 São amigos dos Estados Unidos todos aqueles que fazem negócios com eles. E, preferentemente, que dão lucro. Isto é da história norte-americana. O presidente Groven Cleveland, já no século 19, dizia que “o negócio dos Estados Unidos são os negócios”. Dão prosseguimento à saga de Roma cujo império foi construído, também, sobre o pilar do nec otium.
A partir daí verificou-se que países não têm amigos. Países têm apenas interesses. A realidade quotidiana nos indica que é mais duradoura uma amizade baseada em negócios do que negócios baseados em amizade.
Esta introdução vem a propósito de notícia estampada na primeira página do jornal O Estado de São Paulo, de 27/04, segundo a qual “o governo brasileiro aceita ajudar o Paraguai mas insiste que o Tratado de Itaipu é intocável”. Ajudar? Mas com que interesse?
Ensina-nos a geopolítica que não existe grande potência sem grande espaço. É por causa do espaço, em primeiro lugar – mas não apenas por causa do espaço – que o Brasil tem a pretensão, num futuro não muito distante, de ser uma potência mundialmente reconhecida. Por enquanto, contenta-se em ser – como já era desde os tempos do 1º e do 2º Impérios – uma potência regional. E o Paraguai, que não foi anexado ao território brasileiro por desinteresse do imperador Pedro II, depois do conflito 1870/1875, sempre esteve na imediata área de influência do Brasil. Como o México está na dos Estados Unidos. Como a Polônia está na da Rússia. Os mexicanos chegaram a cunhar um sentimento assim sentenciado: “ó Deus: por que nos colocastes tão próximos dos Estados Unidos e tão distantes de vós”.
Não é por amizade que o Brasil deseja ajudar o Paraguai. Nem foi por caridade que ajudou recentemente a Bolívia. O presidente Lula pode até ter pensado assim. A ajuda é por interesse. Mas quem ajuda – na linha da esmola – humilha. E é perigoso.