Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 20 de Agosto 2008 - 23h2 O Brasil perde anualmente 160 bilhões de reais com a corrupção. A maioria das fraudes é do crime de colarinho branco. Os co-responsáveis diretos pela ladroeira são os políticos, que encobertam a rapinagem e protegem os bandalhos. Quem infelicita o país não é o traficante pé-de-chinelo, o ladrão desdentado e nem outros marginais do gênero.
Não se imagina pedir aos grandes corruptos que parem de roubar, mas se espera que os políticos lutem contra a bandalha, fonte e mãe da violência. Com os 160 bilhões de reais anualmente roubados pelo crime de colarinho branco, poderiam ser construídas 4 mil escolas, mais de 2 mil hospitais ou 5 milhões de casas populares. Esse dinheiro é furtado dos pobres, que mais precisam do Estado.
A política deveria ser a principal alavanca para transformar o país. Mas os políticos fizeram da política um exercício cínico que beneficia os poderosos de verdade, onipotentes e capazes de calar qualquer oposição séria. Oposição séria, além de honesta, precisaria ser forte para mudar as relações de força. É uma tarefa política. Mas a política fica nas mãos dos políticos que sustentam a corrupção. Por isso, esse poder onipotente financia a corrupção política, para melhor dilapidar o patrimônio nacional.
O que fazer? Se os políticos que se sobressaem e conquistam votos desde que Cabral chegou com as caravelas representam o crime do colarinho branco, como mudar este país? O mais fácil é o que muita gente faz, com os pobres num extremo e os de formação profissional de ponta no outro: se o país não muda, muda-se de país.
O Brasil é o maior “exportador” de pobres, putas e cérebros do mundo. Com 160 bilhões de reais no bandulho dos “bacanas” e da politicanalha.