Márcio Bernardes
Quinta-Feira, 21 de Agosto 2008 - 23h11 (Pequim) - Nunca participei de uma entrevista coletiva com Pelé tão insossa e chata. Perdi meu tempo e boa parte do meu dia. Poderia ter ido à disputa de medalhas no vôlei de praia feminino ou acompanhado outra competição.
Os próprios assessores da Casa do Brasil, instalada aqui em Pequim e local do encontro programado de Pelé com os jornalistas brasileiros, não estavam nada simpáticos. Nem demonstravam nenhuma intenção em facilitar o nosso trabalho. A coisa chegou a um ponto que um companheiro gaúcho tentou liderar um boicote antes da solenidade.
Pelé estava com aparência sonolenta, quase monossilábico, procurando demonstrar simpatia, aliás, sua marca registrada, mas muito diferente daquele Pelé que estamos acostumados a acompanhar.
Pouco ou nada se acrescentou. A pergunta sobre quanto Pelé está ganhando para realizar este trabalho não foi respondida. É bom lembrar que toda despesa da candidatura carioca está sendo bancada pelo Governo brasileiro. Portanto, dinheiro público.
O Rei do Futebol falou sobre o seu comprometimento com a campanha Rio-2016, disse que ficou muito emocionado em carregar a tocha dos Jogos Pan-Americanos no ano passado e poupou Dunga de qualquer crítica por causa da derrota para Argentina. Só isso! Mais nada! Lamentavelmente.
Incentivo
Janeth está em Pequim ajudando a divulgar a Rio-2016. Conversamos longamente sobre a tragédia atual do basquete.
Ela pede mais apoio aos clubes, mas não quer entrar na política interna de confederação e federações. Deixou claro que o trabalho de base precisa ser cada vez mais incentivado e prestigiado.
Janeth brilha os olhos quando fala do seu Instituto que atende 750 crianças. Dali pode sair algumas estrelas do basquete.
Santo André com vários núcleos, Mauá, Cubatão, Pindamonhangaba e brevemente em Sorocaba. Essas são as sedes do Instituto Janeth que faz um trabalho sensacional.
Ela pede para que citemos seus patrocinadores: Novellis, Alcan, Shopping ABC, Cosipa e Petroquímica União.
O esporte brasileiro precisa de mais Janeths, Gustavos Borges e tantos outros ex-atletas abnegados. Precisa também de empresas que acreditem no esporte de base.
Os cartolas e gente do Governo entendem que é muito melhor investir dinheiro construindo estádios e ginásios do que na formação de novos atletas. Por que será, hein?
*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário.
Site www.marciobernardes.com.br