Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 21 de Agosto 2008 - 23h18 Em outra situação política, não sei se mais ou menos democrática, mas com certeza mais responsável socialmente, haveria algum tipo de intervenção na Prefeitura de Ribeirão Preto. Menos pelos prejuízos pecuniários possíveis pelo descumprimento das determinações da Cetesb com respeito ao lixo, e mais pelos danos causados ao ambiente.
O que acontece com o lixo não deve ser medido apenas pela incúria administrativa, que pode gerar prejuízos ao Município. Mas sobretudo pela agressão ao Aqüífero Guarani. Não é demais lembrar que estamos sobre o aqüífero e nas “beiradas” onde se encontram suas “bocas” de captação das águas. Não bastassem os agrotóxicos da monocultura extensiva, desmatamento, poluição dos rios, contaminação pelos esgotos, temos agora a ameaça dos “fluidos” do lixo acumulado em aterros que não atendem as necessidades básicas de segurança sanitária.
Difícil saber se o descumprimento pelo doutor prefeito das normas impostas pela Cetesb é fruto da irresponsabilidade administrativa, insensibilidade ambiental, conseqüência de um sistema viciado de gestão pública ou simples ignorância. Essas possibilidades podem ser discutidas, mas não há desculpa para o crime contra o ambiente. Não custa enfatizar mais uma vez e sempre: contra o Aqüífero Guarani, que pode sofrer as conseqüências da inoperância administrativa do doutor prefeito Gasparini.
Como é possível desprezar laudos profissionais, orientações baseadas em conhecimento científico e ignorar sérios riscos ambientais, quando os avisos, advertências e indicações técnicas acontecem pelo menos há 3 anos?
As soluções não são difíceis, mas para isso é preciso cuidar do lixo e não tratar a política administrativa como lixo.