Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 22 de Agosto 2008 - 23h28 Assim como não há antagonismo entre grande e média empresa em relação a micro e pequena – porque elas se complementam numa economia de mercado – não há antagonismo entre grande empresa agrícola ou agricultura empresarial e agricultura familiar, de tamanho mais modesto.
Os dados que os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrícola acabam de divulgar confirmam o que se supunha.
A agricultura familiar, pelos números que se obtém, é responsável por 70% de todo alimento que o brasileiro consome. Os dados são eloqüentes: 70% da mandioca, mais de 90% do leite, 60% das aves e dos suínos. Enquanto isto, a agricultura empresarial entra com 70% da produção de bovinos, soja e arroz, além de 51% do milho e tem absoluta predominância na cana-de-açúcar.
Evidente que quem produz merece respeito. Que é o que nem sempre se tem, no Brasil, no que toca ao pessoal que trabalha no campo. Ele gera: 1 - produtos que, dirigidos ao mercado interno, alimentam todos os residentes no país; e 2 - produtos que, exportados, trazem divisas com as quais podemos efetuar importações.
O que o homem do campo precisa entender é que ele perde sempre a batalha da informação, alimento que dá forma à opinião pública. E perdendo esta batalha, perde a guerra. O que configura uma injustiça. Mas evidencia uma incapacidade para se entender o mundo em que se vive. E se vive há já algum bom tempo.
Ou não foi o primeiro ministro britânico Winston Churchill, falecido em 1965 – portanto, há mais de quarenta e três anos – que disse que “quem perde a batalha da opinião pública, perde a guerra?”.
Diabolus, em grego, significa aquele que divide, aquele que joga um contra o outro. É o que provoca brigas e dissensões.
Quem joga o produtor que atua na agricultura empresarial contra o produtor que atua na agricultura familiar e vice-versa? É só prestar atenção e afastar-se dele.