Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 22 de Agosto 2008 - 23h28 A água é um problema tão sério para a humanidade que sempre merece mais atenção. No Brasil e em Ribeirão Preto, é preciso recordar: nós somos parte da humanidade. A humanidade não é algo vago nos confins do mundo, nem “apenas” os milhões de africanos subnutridos e outros bilhões à beira da escassez.
O Instituto Mundial da Água voltou a informar que só 2,5% da água do planeta é acessível à humanidade. Essa água pode acabar, na verdade, está acabando. Não se trata apenas de “água para beber”, mas para fazer funcionar toda a economia, desde a produção agrícola mais simples até o mais complexo maquinário, passando por todas as variantes da atividade social.
Os investidores internacionais preocupam-se com o tratamento dado às águas, especialmente aos lençóis como o Aqüífero Guarani e aos rios. Sabem que se a cobiça continuar prevalecendo ficaremos à mingua e eles deixarão de lucrar. Não é altruísmo, é uma questão de sobrevivência do sistema, que pode entrar em colapso com a escassez de água.
A questão é tão grave que a Espanha importa água todo verão. Na França muitas cidades já transformam os esgotos em água potável. Isto quer dizer, na Europa e também nos Estados Unidos, muita gente bebe de volta sua urina e seu cocô, reciclados.
Nós, em Ribeirão Preto, parte da humanidade para quem se esquece, somos privilegiados. Ainda temos água com aparente fartura. Não podemos cair ao nível dos países industriais e dos historicamente explorados, como os africanos. Não devemos permitir que administrações irresponsáveis poluam a água que ainda temos. A água é nosso bem maior, é preciso preservá-la das ameaças, como o lixão que o doutor prefeito Gasparini não quis ou não soube administrar.