Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Sabado, 23 de Agosto 2008 - 20h23

Ministeriáveis


Candidato a vereador não tenho. Para ministro da Fazenda há fartura. Por coincidência, todos vereadores da nossa Câmara Municipal. Por enquanto meu preferido é o doutor vereador Marinho Sampaio, que teve uma “evolução patrimonial” de 864,3% em 4 anos. Por acaso, o tempo em que defendeu o povo na Câmara.
Nenhum usineiro aumentou tanto seu patrimônio como esse doutor vereador. Mas posso escolher outros para ministros da Fazenda. Todos são capazes. Prexemplo, o doutor Leopoldo Paulino, paladino do socialismo e revolucionário reconhecido por todos os que lutaram contra a ditadura, se não chegou às culminâncias do doutor Marinho, conseguiu evoluir 118,4% o seu patrimônio.
O doutor Merchó Costa foi além, com 121%. Mais modestos, a doutora Fátima Rosa só conseguiu evoluir 63,9% e o doutor Silvio Martins 24,4%. Todos poderiam estar no Ministério da Fazenda, onde já brilhou a estrela do doutor Palocci, ajudando o presidente Lula a engrandecer o Brasil.
Porém, não só esses grandes administradores dos bens próprios merecem o Ministério. Também aqueles doutores nobres edis que perderam patrimônio. Tenho mais apreço pelo doutor vereador Cícero Gomes da Silva, coitadinho, cujo patrimônio diminuiu 70,1%. Isso não significa incompetência no trato da grana e das posses. Pelo contrário, é grande capacidade gerencial, pois perdendo 70,1% seu nível de vida não caiu um milímetro.
Tudo bem, ele é cristão, e cristão se contenta com pouco. Assim outros que perderam patrimônio, como o doutor vereador Gilberto Abreu, Bertinho Scandiuzzi, Nicanor Lopes. Todos merecem ir para o Ministério, pois a diminuição do patrimônio não afetou o nível de vida deles. Para vereador, nenhum. Para ministro, todos.

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