Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 23 de Agosto 2008 - 20h23 Quem escreve em jornal, mesmo que um abelhudo como eu, deve ter cuidado ao fazer comentários políticos. Nesta época de campanha eleitoral, justamente os preferidos, seguidos de perto pelas Olimpíadas.
O tal cuidado ao qual me refiro diz respeito ao que pode e ao que não pode ser dito. Por exemplo, se, hipoteticamente, disser que o candidato fulano está pendurado na justiça por ter pego uma bolada durante um dos últimos mandatos, vou me complicar mais do que ele. Os partidos têm equipes amazônicas de advogados esperando uma mancada dessas para pedir direito de resposta e processar o jornal.
O recurso é dizê-lo sem ser afirmativo. Melhor escrever que há rumores de que o candidato estaria sendo processado por supostas irregularidades em sua administração. Fica mais ameno e o jornalista está salvaguardado. Dizer abertamente que o sujeito é um ladrão filho da mãe(?) seria imperdoável.
Para dizer a verdade sobre candidatos a vereador é necessário ainda mais critério e precaução. Não pode apontar os que são ridículos, os imbecis oportunistas, os semi-analfabetos ignorantes e os verdadeiramente bandidos. A justiça não permite, embora permita que estes se candidatem e até que se elejam.
Fora estes detalhes, o órgão de comunicação tem toda a liberdade para acompanhar a campanha eleitoral. Só não pode (ou não deve) dizer a verdade nua e crua.
Lembra um pouco os anos de chumbo, quando a ditadura militar barrava uma notícia contra seus interesses. O jornalista, impossibilitado de informar, colocava no lugar da notícia uma receita culinária, em sinal de protesto. Agora não há mais censura. Só a ditadura dos processos.