Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 27 de Agosto 2008 - 0h24 Minha concepção sobre o ser humano nasce, ao mesmo tempo, do que pensa Thomas Hobbes – “o homem é o lobo do homem” –, de minha modesta experiência de vida e da bíblia. “E o Senhor Deus arrependeu-se de ter criado o homem sobre a Terra”. É o que está escrito no livro do Gênesis. “A bíblia é a boca de Deus”, diz santo Agostinho. Por aí, mais ou menos, dá para se deduzir o que penso a respeito. Não faço bom juízo do nosso semelhante.
Não posso negar, entretanto, que mesmo o ser humano mais desprovido de sentimento fica sensibilizado quando se comenta sobre cruel e pertinaz moléstia que a comete uma pessoa. Dá pena, ainda que – em algumas, por razões diversas – chega-se a perceber uma mórbida satisfação. Mas estes são minorias. Nós costumamos nos consolar de nossos sofrimentos com o sofrimento dos outros.
Quando se trata de moléstia psíquica, entretanto, o sentimento de pesar desaparece em quase todos. Vejam a quantidade de piadas que há sobre loucos. A loucura não provoca pesar. Incita ao riso. Ou à gargalhada. Chega-se a socializar a loucura. Dela, todos teríamos um pouco. Note também a reação de muitos quando uma pessoa leva um tombo. Gargalhadas ou risos escondidos.
O humor nasce do fracasso da razão. Esta dominou da Revolução Francesa de 1789, que chegou a entronizá-la, até a queda do muro de Berlim, em 1989. A partir daí começou o tempo da intuição. Ela terá o mesmo comportamento da razão perante a loucura? Vamos aguardar.
Tivemos – ao longo dos tempos – muitos humoristas, sempre ajudados pela maneira como marginalizamos a razão. Ela está sempre em concordata entre nós. Ao mesmo tempo, é difícil encontrar-se humoristas na Suíça, terra do relógio, da exatidão, da pontualidade.
O terrorismo atual pode representar os estertores do terror. Que tem um fundo religioso. Mas que é filho da razão. O terror nasce do útero da razão.