Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 27 de Agosto 2008 - 0h24 Quando a Olimpíada começou escrevi que o desempenho dos atletas seria prejudicado pela poluição chinesa. Errei: ninguém tossiu mais forte e vários recordes foram quebrados. Não devia confiar nas notícias “marteladas” pela grande imprensa. Disseram que a poluição enfraqueceria os atletas, fui na onda e errei. Não há desculpa: deveria estar vacinado contra a nossa imprensa. No mais, São Paulo e Pequim empatam em poluição.
Se os resultados dessa Olimpíada ocorressem há vinte anos provocariam um frenesi ideológico. Imaginem o impacto político: nos estertores da guerra fria, a China mal entrando no ramo da pirataria, vencer os Estados Unidos, campeão da democracia e da “civilização ocidental e cristã”.
Outro frenesi ideológico: a decadência medalhística de Cuba seria uma bandeira que os amantes da democracia agitariam para mostrar que o comunismo é a cova do esporte. Porém, com Fidel aposentado, a ilha lutando para manter o fogo revolucionário e o horizonte sorrindo aos obamas, ninguém liga.
E pouca gente mede o tamanho do fiasco brasileiro. Além de não evoluirmos um tostão, nos 4 anos de “preparação” para a Olimpíada torraram 1,2 bilhão de reais. Ganhamos 3 medalhas de ouro: cada ouro custou 400 milhões de reais. Se dividirmos pelas 15 medalhas do total, dá 80 milhões para cada uma, de ouro, prata e bronze.
Não custa lembrar: se medalhas refletissem o bem-estar ou a justiça social, Suíça, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Bélgica, Áustria, estariam na África. Tiveram menos medalhas que o Brasil. Mas são campeões em justiça social, mesmo com um PNB menor que o do Brasil, porém melhor distribuído. Já a China, inchada de medalhas, sabe quanto vale o ouro dos tolos. E para os tolos.
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