Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 27 de Agosto 2008 - 0h25 Uma massa errante, provavelmente desgarrada do Sol, viaja pelo espaço, até que começa a definir uma trajetória ao redor do astro. Bilhões de anos depois, esta massa esfria e toma o formato esférico. Outros bilhões de anos e as primeiras formas de vida começam a ser forjadas. São menos que bactérias. Na verdade, uma sopa de aminoácidos, ainda desorganizados.
Mais tarde, as primeiras células aparecem na Terra. Algumas, organizando-se em grupos especializados, montam seres mais complexos e, portanto, mais aptos à sobrevivência. A evolução continua, com a diversificação de espécies, a exemplo dos dinossauros, dos peixes e dos primeiros primatas.
Uma destas espécies de primatas decide descer das árvores, aprende a caçar e a consumir proteína animal. Seu cérebro cresce, a inteligência se desenvolve e, em alguns milhões de anos esta espécie torna-se o primor da criação.
É o Homem, com domínio sobre todos os animais e o planeta. Inventa a roda, os números, as artes e se estabelece em grupos com hierarquias sociais, que virão a ser as famílias. Depois disso, seus feitos só se agigantam: vai à Lua, constrói civilizações, domina a Natureza e cria tecnologias cada vez mais sofisticadas. Lindo!
Aí chega um candidato a vereador ou a prefeito, pega uma destas criaturas, fruto de milhões de anos de evolução, e coloca a coitada para ficar parada, sob o sol, segurando uma tabuleta. Tudo o que a Natureza ou Deus trabalhou segundo após segundo para produzir um ser superior, perdido pela estupidez da loucura eleitoral. Um poste faria o mesmo serviço, com vantagens. Mas no poste não pode colar nada. Conclusão: somos menos que o poste.
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