Cidades
Quarta-Feira, 27 de Agosto 2008 - 0h36
GUATAPARÁ Lixão privado aguarda primeira leva dos resíduos de RP
O transporte do lixo de Ribeirão para Guatapará começou ontem à tarde. Os resíduos estavam desde segunda-feira numa área improvisada dentro do aterro municipal, na rodovia Mário Donegá. O acúmulo é proibido pela Cetesb, mas o órgão técnico paulista afirma que não vai multar o Daerp, autarquia que administra o lixo no município.
Para o superintendente do Daerp, Darvin Alves, a falta de licença para o transbordo no aterro, que se resolveu na segunda-feira à noite, e a construção de uma rampa para viabilizar esse serviço causaram a demora no transporte até Guatapará.
Apenas ontem à tarde o Daerp e a Leão Ambiental, empresa que opera o aterro em Ribeirão, definiram a natureza comercial do serviço. A prefeitura não fará contrato com o aterro particular CGR (Centro de Gerenciamento de Resíduos), em Guatapará. O acordo será feito diretamente pela Leão com o CGR.
“Tenho contrato [de operação do lixo] com a Leão. Pago para ela”, afirma Alves. Ele afirma que os valores pagos à empresa terão de ser complementados para que a Leão faça o repasse à CGR. Mas não diz quanto. “Tenho que fazer as contas. Isso será definido com a Leão amanhã [hoje] ou depois”, diz.
Segundo Alves, o valor pago à empresa por tonelada operada no aterro municipal é, em média, R$ 25. Multiplicada por 500 toneladas diárias de lixo, o que se produz em média em Ribeirão, o serviço sai por R$ 12.500 por dia.
No início da semana, o diretor da CGR, Wagner Bonini, afirmou à reportagem que cobra R$ 50 por tonelada para aterrar o lixo e R$ 25 para o transbordo e o transporte.
Se os preços forem confirmados na negociação da Leão com o CGR, a exportação do lixo sairá três vezes mais cara do que no município, conforme antecipou o A Cidade, no dia 19.
Tanto a gerência do CGR quanto a superintendência do Daerp contestam que o serviço sairá mais caro.
“Empresa privada tem custos com compra da área, licenças, operações com tecnologia avançada. A prefeitura não computa [sic], no custo que ela apresenta, os gastos que têm com pessoal e outras atividades”, diz Bonini. “Dá a impressão de que minha empresa está cobrando mais caro da prefeitura”, afirma.
Ontem, Alves, do Daerp, usou o mesmo argumento do executivo da CGR. “Os custos são maiores [que os R$ 25 anunciados]: tenho funcionários a pagar, há o tempo que eu dedico só ao aterro, e outros custos não computados porque a área é nossa”, justifica.
Dados que faltam
Alves diz que o Daerp está levantando os dados complementares que a Cetesb pediu, para analisar em quanto tempo o aterro municipal será fechado definitivamente. O local está proibido de receber mais resíduos há uma semana. O Daerp pede à Cetesb autorização para usá-lo por mais 17 meses.
Acordo entre Leão e CGR para lixo de Ribeirão é de um ano
Segundo a assessoria da Leão, que é a mesma do CGR, a estimativa é de que o lixo de Ribeirão seja levado a Guatapará por dez dias. O acordo entre as empresas sobre o lixo da cidade tem validade de um ano, mas, segundo nota enviada pela assessoria, “pode ser suspenso a qualquer momento”.
Dez dias é o mesmo período da licença que a Cetesb deu para o transbordo no aterro de Ribeirão. A atividade, que consiste na transferência dos resíduos para caminhões de 37 toneladas, evita que os veículos de coleta, de dez toneladas, saiam da cidade para exportar o lixo.
Aterro vizinho
A direção do CGR afirma que emprega tecnologias, em seu empreendimento, que a maioria dos aterros não tem. Segundo Bonini, técnicos laboratoristas checam se a carga que chega ao local pode ser depositada.
A área ainda tem uma manta de polietileno que impermeabiliza o subsolo. Por cima, o lixo é coberto com terra e compactado.
O chorume (líquido da decomposição do lixo) é levado a estações de tratamento de água.
O aterro, inaugurado há um ano e meio, tem vida útil de 30 anos.