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Quarta-Feira, 27 de Agosto 2008 - 0h51

Duto que passa por RP entra em testes em 2011

Delcy Mac Cruz
WEBER SIAN Duto que passa por RP entra em testes em 2011 SOBRE RODAS Terminal das distribuidoras de combustíveis de Ribeirão, junto ao Anel Viário, e onde predomina o transporte por caminhões

O setor sucroalcooleiro da região vai ser diretamente beneficiado pelo sistema de dutos da companhia Uniduto, que terá ramificação em Ribeirão Preto e deve entrar em fase de testes no primeiro semestre de 2011.
O anúncio da data foi feito ontem pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, Paulo Diniz.
A empresa possui 72% da Uniduto, enquanto os demais 28% pertencem à Rezende Barbosa (RB), holding controladora do Grupo Nova América, que possui armazém de açúcar em Sertãozinho.
“A chegada do alcoolduto vai favorecer toda a cadeia sucroalcooleira da região, porque tornará o transporte do biocombustível mais barato”, diz Sérgio Prado, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão.
Segundo ele, a região situada a um raio de até 100 quilômetros de RP fará neste ano 6 bilhões de litros dos estimados 26 bilhões de litros de etanol a serem produzidos pelo país. “E o sistema de dutos poderá fazer o transporte do biocombustível feito na região”.

Frete mais barato
Segundo o diretor da Cosan, será possível reduzir de 35% a 40% o custo logístico com o etanol. Conforme estudo da empresa David, especializada em negociação entre fabricantes de etanol e de distribuidores, gasta-se entre US$ 42 a US$ 45 para transportar uma tonelada do biocombustível até o porto de Santos. “O transporte desse combustível também é fretado em tonelagem”, diz o diretor Antônio David.
Arnaldo Luiz Corrêa, consultor da Archer Consulting, que hoje participa de evento do Grupo Idea no Centro de Convenções de RP, também aprova a notícia.
“É evidente que a implantação do alcoolduto é boa porque qualquer redução de custos no setor vai em parte parar nas mãos do produtor”, diz.
“Como o mercado do setor tem vários vasos comunicantes, essa redução será espalhada”, explica.
Além da redução de custos, o alcoolduto permitirá ampliar a exportação de etanol. “Hoje, o Brasil exporta entre 3 e 3,5 bilhões de litros de etanol por ano. Com o duto, teremos uma capacidade superior a 14 bilhões de litros anuais”, disse o diretor da Cosan.
O alcoolduto ligará o terminal portuário de Santos e a cidade de Paulínia, com ramificações para a cidade de Conchas, além de RP.
Na primeira fase do projeto, que vai de 18 meses a dois anos, os aportes devem somar R$ 60 milhões, divididos igualmente entre os acionistas. A fase posterior abrange a construção do alcoolduto, a partir de 2010. Os primeiros testes devem ser feitos até julho de 2011, segundo o executivo da Cosan. (Com Agência Estado)


Petrobras pode atuar a partir de Ribeirão
Questionado sobre uma possível participação da Petrobras no projeto do alcoolduto da companhia Uniduto, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, Paulo Diniz, mencionou a possibilidade de a estatal aproveitar o projeto, já fechado pelos parceiros privados, para ampliá-lo a outras regiões do País.
“Eles podem aproveitar as obras onde pararemos, em Ribeirão Preto, para estender ao sul de Minas e Goiás. Ou aproveitar a perna de Conchas para o Mato Grosso do Sul. Esse desenho não se mostrou viável para nós, mas pode ser interessante em termos estratégicos para o País”, disse.

Parceria
Na área logística, a Cosan também atua em parceria com a Nova América, sendo sócias na Rumo Logística.
Os terminais portuários das duas empresas estão sendo integrados, possibilitando uma capacidade de carregamento de 8 milhões de toneladas.
“Com investimentos entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões após a integração, é possível reorganizar a logística para carregar três navios ao mesmo tempo”, afirmou o executivo durante encontro com analistas e investidores.
A expectativa é de que o terminal portuário tenha três docas e cinco carregadores de navios.

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