Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 29 de Agosto 2008 - 0h50 Os eleitores mais politizados têm uma opinião comum: é preciso renovar a Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Será que dá certo? Ponto 1: “renovar” com quem? Com dois ou três gatos pingados que não serão eleitos? Ponto 2: o problema não é de nomes, bons ou ruins, é do sistema apodrecido. A Câmara é parte de um todo que se vale da politicanalha para se aproveitar das “brechas da lei” e faturar em cima.
A culpa não é só dos vereadores viciados pelo tempo, enturmados pela mordomia e indiferentes por vocação. O sistema, como a realidade demonstra, coopta os que lá entraram para “renovar”. Em pouco tempo o corporativismo mostra as garras. Aliás, não são garras: é um grude viscoso para os que se rendem às mordomias e privilégios.
Botem 20 ou 25 anjos lá dentro e em pouco tempo a lama do sistema lamberá a virtude dos bons. E como historicamente está comprovado, todos se rendem. Quando há o risco de alguns não se renderem, como em 1964, acontece um golpe providencial e os mais “realistas” tornam-se cúmplices da ditadura e cassam os que resistem. Trinta anos depois voltam dando aulas de democracia.
Democracia capitalista é isso. A companheirada do PT aprendeu logo que chegou ao poder. Arreglou geral e até as “reservas morais” mostraram serviço, como o antes impoluto advogado Luís Eduardo Greenhalgh, citado hoje como integrante da panela dos daniéisdantas da vida.
O momento é de repensar, verificar até que ponto essa sociedade quer mesmo políticos menos ladrões, menos corruptos e mais duros na queda. Ou se prefere os “responsáveis” ou aqueles que fazem um discurso e adotam outra prática, para que o Brasil continue a pátria da casa grande, à custa da senzala. O resto é conversa mole.
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